Com a atualização da Norma Regulamentadora nº 01 (NR-1) no Brasil, as empresas perceberam que não se trata apenas de uma instrução local, mas sim de uma tendência global de cuidado com as pessoas.
A crise de saúde mental nas empresas não respeita fronteiras. Um dado alarmante: o Brasil já é o segundo país com mais casos de Burnout no mundo, perdendo apenas para o Japão.
Para os gestores de RH e líderes de Compliance, olhar para fora é um benchmarking valioso. Entender como potências econômicas como Europa e Japão enfrentam essa crise nos oferece um roteiro do que funciona (e do que precisamos evitar) para proteger nossos colaboradores e a sustentabilidade do negócio.
Neste artigo, vamos viajar por essas normas internacionais e entender como aplicá-las no Brasil utilizando ferramentas de escuta como o Canal de Acolhimento.
Japão: O combate ao “Karoshi” e a obsessão por métricas
O Japão possui uma cultura de trabalho historicamente intensa, que inclusive gerou fenômenos sociais trágicos como o Karoshi (morte por excesso de trabalho) e o Karojisatsu (suicídio motivado por pressão laboral).
O país está começando a entender, da maneira mais difícil, que trabalhar mais de 60 horas por semana não é saudável nem sustentável.
O governo precisou intervir para limitar horas extras e forçar uma mudança cultural. Recentemente, o país reconheceu um número recorde de casos de doenças mentais relacionadas ao trabalho, o que forçou uma mudança na postura das corporações.
Hoje, a legislação japonesa exige que empresas com mais de 50 funcionários realizem obrigatoriamente o “Stress Check Program” (Programa de Verificação de Estresse) anualmente.
A lição para o Brasil: O exemplo japonês nos ensina que não se pode gerenciar fatores psicossociais que não se medem. O monitoramento ativo (identificar quem está no limite antes do colapso) é a base da estratégia de prevenção deles.
Europa: Prevenção, “Direito à Desconexão” e Custo Econômico
Enquanto o Japão foca no monitoramento do excesso, a Europa tem liderado o debate sobre o equilíbrio e a prevenção estrutural.
Relatórios recentes apontam que os “europeus estão esgotados”, levando a União Europeia a reforçar diretrizes sobre saúde mental no trabalho como um pilar de competitividade econômica.
A abordagem europeia defende que a saúde mental deve ser tratada com a mesma seriedade da segurança física.
Para isso, países da União Europeia discutem amplamente o “Direito à Desconexão” (leis que protegem o funcionário de ser contatado fora do horário).
De acordo com o Fórum Econômico Mundial, a Bélgica aprovou uma lei em 2022 que permite aos funcionários públicos desligarem-se de e-mails, mensagens de texto e chamadas telefônicas recebidas fora do horário de trabalho, sem medo de represálias.
O direito ao descanso também existe em Portugal, que prevê multas para empresas com 10 ou mais funcionários que contatem colaboradores fora do horário de trabalho estabelecido.
Os países que fazem parte da União Europeia também avançam em discussões sobre semanas de 4 dias e a implementação de normas como a ISO 45003, focada na gestão de riscos psicossociais.
A lição para o Brasil: A Europa nos mostra que o cuidado deve ser preventivo e estrutural. Não basta tratar o doente; é preciso “tratar o trabalho”, garantindo pausas e evitando a sobrecarga cognitiva.
E no Brasil? A convergência com a NR-1 e o cenário de 2026
O Brasil está convergindo para esse padrão global. A inclusão dos riscos psicossociais na atualização da NR-1 é a nossa versão das melhores práticas internacionais.
É por isso que a forma como as empresas se comportam a partir de 2026, quando as atualizações começam a valer, será decisiva.
A fiscalização exigirá provas documentais de que a empresa gerencia o estresse e o assédio. Assim como no Japão e na Europa, a negligência no Brasil passará a ter um custo jurídico e financeiro.
Como aplicar o “Padrão Internacional” com o Canal de Acolhimento?
Como o RH brasileiro pode aplicar, na prática, o monitoramento japonês e a prevenção europeia? A resposta está na tecnologia e na escuta ativa.
O Canal de Acolhimento surge como a ferramenta que materializa essas normas globais dentro da sua empresa:
- Monitoramento: Assim como ferramentas que citamos no modelo japonês, o Canal de Acolhimento permite identificar focos de tensão e sofrimento psíquico em tempo real, através de relatórios gerenciais (anonimizados), antes que virem afastamentos pelo INSS.
- Prevenção e Suporte: Ao oferecer um espaço seguro com psicólogos para escuta, a empresa atua preventivamente, oferecendo suporte antes do agravamento do quadro, alinhando-se às diretrizes de bem-estar integral, assim como vimos que acontece em países europeus.
- Conformidade: O registro dos atendimentos e as ações derivadas do Canal servem como evidência técnica de que a empresa cumpre o dever de gerenciar os riscos psicossociais, protegendo o CNPJ de passivos.
Leia mais: NR-1 na Prática: Como Integrar Saúde Mental e Emocional no Ambiente de Trabalho

Conclusão: Saúde Mental é a nova linguagem global dos negócios
Seja em Tóquio, Paris ou São Paulo, a mensagem é a mesma: a sustentabilidade de uma empresa depende da saúde mental de quem a constrói.
O Brasil, infelizmente, ocupa a vice-liderança mundial em Burnout, logo atrás do Japão. Mas temos a oportunidade de mudar esse ranking.
Ao adotar ferramentas sérias de escuta e gestão, como o Canal de Acolhimento, sua empresa não apenas cumpre a lei, mas se posiciona na vanguarda ética e produtiva do mercado global.
Sua empresa está pronta para atingir o padrão internacional de cuidado? Conheça o Canal de Acolhimento da Contato Seguro e transforme a gestão de saúde mental da sua organização.
FAQ
Quais países têm leis rígidas sobre saúde mental no trabalho?
O Japão é pioneiro com a Lei de Saúde e Segurança Industrial, que obriga a verificação de estresse. Na Europa, países como França, Portugal e Bélgica possuem legislações avançadas sobre riscos psicossociais e o “direito à desconexão”.
Como funciona a verificação de estresse no Japão?
Conhecido como “Stress Check Program”, é um sistema obrigatório para empresas com mais de 50 funcionários. Os trabalhadores respondem a questionários anuais. Se o estresse for alto, a empresa deve oferecer consulta médica e reduzir a carga horária ou mudar as funções do colaborador.
O que diz a legislação europeia sobre Burnout?
A Europa trata o Burnout e o estresse através de Diretivas-Quadro de Segurança e Saúde. O foco é a prevenção dos riscos na origem (organização do trabalho). A BusinessEurope e sindicatos pressionam por diretrizes que tratem os riscos psicossociais com o mesmo rigor dos riscos físicos.
O Brasil segue quais normas internacionais?
A NR-1 brasileira está alinhada aos princípios da OIT (Organização Internacional do Trabalho) e da ISO 45003, que é a primeira norma global a fornecer diretrizes para o gerenciamento de riscos psicossociais dentro do sistema de gestão de saúde e segurança ocupacional.



