Gestão de Saúde Mental e NR-1: Como transformar o afastamento do trabalho em indicador estratégico

A imagem retrata uma mulher jovem em um ambiente corporativo moderno, sentada à mesa, com postura pensativa e expressão de concentração. Ela segura um lápis próximo ao rosto enquanto observa documentos à sua frente, sugerindo análise, tomada de decisão ou reflexão profissional. Sobre a mesa, há papéis e um smartphone, reforçando o contexto de trabalho.
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Tempo de Leitura: 6 Minutos

Até pouco tempo atrás, falar sobre saúde mental nas empresas era tratar de um tabu. 

O tema, muitas vezes, só chegava à mesa da diretoria quando a notificação do INSS aparecia: um colaborador importante precisava de um afastamento do trabalho por tempo indeterminado.

Hoje, esse cenário mudou drasticamente. Com a atualização da Norma Regulamentadora nº 01 (NR-1), o cuidado com os riscos psicossociais se tornou uma obrigação legal e técnica.

Mas, para além da lei, existe a estratégia e o cuidado. As empresas que ainda enxergam a saúde mental apenas como custo ou burocracia estão perdendo talentos e dinheiro.

Neste artigo, vamos explorar como o RH pode usar a NR-1 para reduzir índices de afastamento, proteger o caixa da empresa e construir um ambiente onde a produtividade caminha junto com a saúde.

Leia mais: NR-1 Atualizada: Tudo sobre Riscos Psicossociais e a Adaptação do PGR

Por que os afastamentos estão aumentando?

Ansiedade, depressão e Burnout não surgem do dia para a noite. Eles são resultados de processos contínuos de desgaste. 

Segundo dados recentes da Previdência Social, os transtornos mentais já são uma das principais causas de afastamento do trabalho no Brasil, somando 470 mil casos em 2024.

Vale destacar que, entre os diagnósticos que lideram esse ranking preocupante, estão:

  • Transtornos de ansiedade;
  • Episódios depressivos;
  • Reações ao estresse grave e transtornos de adaptação (categoria que engloba o Burnout).
A imagem apresenta um infográfico detalhado sobre as principais causas de afastamento do trabalho por saúde mental no Brasil, com dados referentes ao ano de 2024.

Se você trabalha no RH, sabe que a raiz desses diagnósticos muitas vezes está dentro de casa. 

Reconhecer que a organização do trabalho é um fator determinante desses problemas também é reconhecer que os colaboradores afastados não são “CIDs”. 

É preciso que o RH vá além do atestado médico e analise com empatia como está a dinâmica do trabalho. Afinal, por trás de um trabalhador doente, pode haver uma rotina afetada por fatores como:

  • Assédio Moral e Sexual: Ambientes hostis geram traumas que incapacitam o profissional.
  • Sobrecarga Cognitiva: Metas inalcançáveis e pressão constante sem suporte.
  • Falta de Reconhecimento: A sensação de invisibilidade que leva à desmotivação crônica.

Quando um colaborador adoece, a empresa perde o conhecimento retido, enfrenta a sobrecarga do restante da equipe e inicia um ciclo vicioso de turnover.

Ignorar esses sinais não faz o problema desaparecer; apenas prejudica a sua organização. Continue a leitura para entender como a gestão da NR-1 pode contribuir para o bem-estar da sua equipe.

O Papel da NR-1 na Gestão de Riscos Psicossociais

A nova NR-1 trouxe o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) para o centro da discussão. A grande mudança é que os riscos não são mais apenas físicos (ruído, calor, máquinas), mas também psicossociais .

Isso significa que a empresa precisa:

  1. Identificar: Mapear quais setores ou funções estão expostos a estresse excessivo ou assédio.
  2. Monitorar: Ter processos contínuos para acompanhar o clima organizacional.
  3. Agir: Documentar no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) quais medidas preventivas estão sendo tomadas.

Se a sua empresa não monitora esses fatores, ela está, tecnicamente, descumprindo a norma. E, juridicamente, está produzindo provas contra si mesma em caso de fiscalização ou processos trabalhistas.

O custo invisível de negligenciar a saúde mental do seu time

É natural que, ao olhar para o orçamento anual, surja aquela dúvida: “Será que temos verba para investir em um programa de saúde mental agora?”.

Mas convidamos você a inverter essa lógica. Segundo Heloisa Moraes, Gerente de Gente e Gestão da Contato Seguro, a conta real que precisamos fazer não é sobre o custo de fazer, mas sobre o preço altíssimo de não fazer nada.

Quando um colaborador se afasta, muitos gestores cometem o erro de calcular apenas o salário parado ou o custo do benefício. 

Só que essa é apenas parte do problema. O verdadeiro prejuízo financeiro e operacional acontece nos bastidores:

  • Risco do Passivo Trabalhista: Não estamos falando apenas de multas. Estamos falando de indenizações pesadas por danos morais ou doenças ocupacionais que, hoje, são equiparadas a acidentes de trabalho. Um único processo pode custar mais que um ano inteiro de medidas preventivas.
  • Turnover: Perder um talento custa caro. Entre demitir, recrutar, contratar e treinar um novo profissional até ele atingir a performance ideal, sua empresa gasta, em média, três vezes o salário daquela posição.
  • Presenteísmo: Esse é o custo mais silencioso. É aquele colaborador que está fisicamente na cadeira, mas mentalmente exausto. Ele produz menos, erra mais e contamina o clima da equipe, derrubando a eficiência do setor sem que você perceba imediatamente.

Por trás de cada estatística de afastamento e de custos em uma planilha, existe ainda uma história interrompida pela dor. 

Estamos falando de um pai ou mãe de família que chegou ao limite do esgotamento; de um talento promissor que teve sua autoestima quebrada e sua carreira pausada pelo sofrimento psíquico.

Esse impacto humano reverbera nos corredores. Quando um colega adoece a ponto de precisar se afastar, a mensagem que fica para a equipe é de medo: “Será que eu sou o próximo?”

A confiança se quebra pela crença em uma cultura tóxica e o engajamento despenca.

Entende que gerenciar a saúde mental deixou de ser apenas uma pauta de “bem-estar”? Hoje, essa é uma estratégia dura de proteção do EBITDA, de cuidado humano e de garantia da longevidade do seu negócio.

Liderança: A primeira linha de defesa 

Nenhuma estratégia de RH sobrevive a uma liderança problemática. O líder é o agente que traduz a cultura da empresa no dia a dia. 

Se ele não estiver capacitado, pode se tornar o principal causador do afastamento do trabalho de sua equipe.

A conformidade com a NR-1 exige que as lideranças sejam treinadas não apenas para “bater metas”, mas para identificar sinais de sofrimento psíquico e agir como facilitadores de um ambiente psicologicamente seguro.

O líder não precisa ser psicólogo, mas precisa saber acolher e, principalmente, saber para onde direcionar o problema.

Tecnologia a favor do Cuidado: Canais de Escuta e Acolhimento

Como monitorar riscos psicossociais sem invadir a privacidade dos colaboradores? A resposta está na implementação de Canais de Escuta estruturados.

Para atender à NR-1 e reduzir afastamentos, sua empresa precisa oferecer um Canal de Acolhimento.

Focado em suporte, o Canal é um espaço seguro e sigiloso onde o colaborador pode buscar apoio psicológico e orientação antes que o estresse vire uma crise incapacitante.

Como funciona o Acolhimento na prática?

Para que o colaborador se sinta seguro para buscar ajuda antes do afastamento, o Canal de Acolhimento opera sob uma lógica rigorosa de cuidado e ética:

  • Confidencialidade e Controle: O sigilo é a base de tudo. É o colaborador quem decide o que compartilhar e se deseja algum encaminhamento.
  • Escuta Especializada e Suporte: O atendimento é realizado por psicólogos-ouvintes que fazem uma escuta ativa e validam os sentimentos. O profissional oferece suporte emocional e técnicas de estabilização ali mesmo, no momento da dor.
  • Do Desabafo à Solução: Quem ouve não apenas acolhe, mas ajuda a traçar caminhos. Ele orienta o colaborador sobre as melhores saídas: desde uma conversa difícil com o gestor até a busca por terapia especializada.

Ao adotar soluções como as da Contato Seguro, o RH transforma a obrigação legal em inteligência de dados. 

Os relatórios desses canais mostram onde estão os focos de tensão na empresa, permitindo agir preventivamente antes que o afastamento do trabalho ocorra.

Saúde Mental como Indicador de Sucesso

Cuidar das pessoas deixou de ser “apenas” a coisa certa a se fazer para ser a coisa inteligente a se fazer. Empresas que investem em saúde mental, cumprem a NR-1 e oferecem canais de escuta ativa têm equipes mais engajadas, marcas empregadoras mais fortes e menos custos com processos jurídicos.

Transforme a gestão de saúde mental de uma despesa em um diferencial competitivo.

Quer reduzir os afastamentos e proteger a sua empresa contra riscos psicossociais? Conheça o Canal de Acolhimento da Contato Seguro e leve inteligência e cuidado para a sua gestão.

FAQ

O que a NR-1 diz sobre saúde mental? 

A nova NR-1 estabelece que o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) deve incluir, obrigatoriamente, os riscos psicossociais. Isso significa que as empresas precisam identificar, avaliar e controlar fatores como estresse, assédio e sobrecarga mental, documentando essas ações no PGR.

Quais as principais causas de afastamento do trabalho hoje? 

Segundo dados da Previdência Social, os transtornos mentais estão entre as principais causas. Os diagnósticos mais comuns incluem ansiedade, episódios depressivos e reações ao estresse grave (como o Burnout), muitas vezes impulsionados por ambientes de trabalho tóxicos ou desorganizados.

Como reduzir o afastamento por Burnout na empresa? 

A redução passa por três pilares: monitoramento do clima organizacional (para identificar sobrecarga), treinamento de lideranças (para evitar gestão tóxica) e a implementação de um Canal de Acolhimento, onde o colaborador pode buscar suporte psicológico sigiloso antes de adoecer.

A empresa é responsável se o funcionário tiver depressão? 

Se for comprovado o nexo causal, ou seja, que a doença foi desencadeada ou agravada pelo trabalho (como em casos de assédio ou metas abusivas), a empresa pode ser responsabilizada judicialmente, arcando com indenizações e estabilidade do funcionário.

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