A nomeação de centenas de novos agentes amplia em pelo menos 40% o efetivo de fiscalização e altera drasticamente o cenário de conformidade trabalhista no Brasil. Saiba mais!
Existe uma frase que ecoa nos corredores das empresas quando o assunto é conformidade trabalhista: “A lei existe, mas a fiscalização nunca chega”.
Se essa era a aposta de segurança da sua organização, é hora de recalcular a rota.
Em um movimento histórico para recompor o quadro do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o Ministro Luiz Marinho assinou a portaria que nomeia 855 novos Auditores-Fiscais do Trabalho (AFTs).
Essa é a maior injeção de força de trabalho na fiscalização dos últimos anos. E ela não chega sozinha: chega acompanhada de uma nova diretriz técnica que coloca a saúde mental e os riscos psicossociais no centro da mira.
Para o RH e o Jurídico, o recado é claro: a era da fiscalização meramente reativa (aquela que só aparece depois de uma denúncia grave) está com os dias contados. A fiscalização preventiva vai ganhar as ruas.
Neste artigo, vamos traduzir o que esse aumento de efetivo significa na prática para o seu negócio e como proteger sua empresa antes que o auditor bata à porta.
O que muda com quase mil novos fiscais na rua?
Durante anos, o déficit de auditores forçou o MTE a priorizar casos extremos, como trabalho análogo à escravidão ou acidentes fatais.
Riscos psicossociais “invisíveis”, como assédio moral e sobrecarga, muitas vezes passavam despercebidos por falta de braço para investigar.
Agora, com a entrada de 855 novos agentes, a capacidade fiscalizadora do Estado muda. A possibilidade de realizar auditorias documentais e visitas técnicas presenciais cresce de forma exponencial em todas as regiões do país.
Entenda melhor o que vai acontecer:
- Aumento de Efetivo: A recomposição representa um acréscimo de mais de 40% na força de trabalho ativa de fiscalização.
- Foco em Prevenção: A meta do governo é reduzir os índices de adoecimento ocupacional através de inspeções rotineiras, não apenas reativas.
- Capilaridade Nacional: Novos auditores serão distribuídos para cobrir polos industriais e de serviços que antes tinham baixa frequência de visitas.
- Prioridade Normativa: A verificação do cumprimento integral da NR-1 e da Lei 14.457/22 está no topo da agenda de treinamento dos novos servidores.
O novo foco: NR-1 e Riscos Psicossociais
Os novos auditores assumem a função já treinados conforme as diretrizes da NR-1 atualizada. Diferentemente das inspeções antigas, focadas em extintores e EPIs, a nova fiscalização vai cobrar a gestão dos Riscos Psicossociais.
O auditor não vai perguntar apenas se o funcionário de uma indústria usa capacete. Ele vai perguntar:
“Onde estão as evidências de que vocês gerenciam o risco de assédio, estresse e sobrecarga mental nesta unidade?”
Se a sua resposta for apenas “nós fazemos palestras no Setembro Amarelo”, sua empresa pode estar vulnerável.
A fiscalização técnica exige processo, registro e controle, conforme determina a Lei 14.457/22 (Programa Emprega + Mulheres) e a própria NR-1.
Checklist: O que o Auditor vai cobrar da sua empresa?
Para não ser pego de surpresa, antecipe-se às perguntas que os novos fiscais farão ao analisar o seu PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos):
- Identificação: Os fatores de risco psicossocial (assédio, liderança tóxica, sobrecarga) estão mapeados no inventário de riscos?
- Plano de Ação: O que a empresa faz oficialmente quando identifica um setor com alto índice de estresse?
- Canal de Escuta: A empresa possui um canal seguro e anônimo para que o trabalhador relate abusos e sofrimento psíquico? (Item obrigatório para combate ao assédio).
- Tratativa: As denúncias são apuradas? Existe evidência de que a empresa agiu para corrigir o problema?
| Item de Verificação | Evidência Necessária para o Fiscal |
| Inventário de Riscos | Inclusão explícita de riscos psicossociais e ergonômicos. |
| Plano de Ação | Cronograma de medidas implementadas com prazos e responsáveis. |
| Canal de Escuta | Ferramenta ativa de acolhimento e denúncias (Lei 14.457/22). |
| Treinamentos | Registros de capacitação sobre assédio e saúde mental. |
Como o Canal de Acolhimento blinda sua empresa
Diante de um fiscal, a melhor defesa não é o argumento, é a evidência. Ter um Canal de Acolhimento ativo e terceirizado é a prova material mais robusta que você pode apresentar em uma auditoria.
Quando o auditor questionar sobre a gestão da saúde mental, você entregará relatórios anonimizados e organizados por setor e por tipos de demandas.
Esses dados funcionam como um termômetro emocional da empresa, ajudando na antecipação de crises, na compreensão de gargalos e na tomada de decisões mais humanas e eficazes.
Com essa entrega, a mensagem que sua empresa passa é: “Nós não esperamos o adoecimento. Quando o canal aponta conflitos na área X, nós intervimos com treinamento, conforme mostra este plano de ação.”
Isso transforma a subjetividade da saúde mental em conformidade técnica. Você prova que a empresa cumpre a lei, protege o colaborador e age com a diligência que o Estado exige.

Conclusão: Antecipar-se à fiscalização é a melhor estratégia
Implementar um Canal de Acolhimento é a prova material mais robusta que uma organização pode apresentar durante a fiscalização NR-1.
Essa ferramenta transforma a gestão da saúde mental em um indicador técnico de conformidade, demonstrando ao auditor que a empresa possui um meio eficaz de ouvir e tratar problemas internos.
Ao apresentar um sistema de escuta ativa, o gestor prova que a organização não apenas identifica riscos, mas possui ferramentas para tratá-los antes que se tornem doenças.
Isso demonstra proatividade e boa-fé, elementos fundamentais para evitar multas e transformar a subjetividade do bem-estar em conformidade técnica documentada.
Não espere a notificação chegar. Implemente o Canal de Acolhimento da Contato Seguro e tenha em mãos as evidências de conformidade que os novos auditores vão exigir.
FAQ
Quando os novos auditores do Ministério do Trabalho começam a atuar?
A nomeação já foi assinada e o processo de posse e treinamento ocorre nos meses subsequentes. A expectativa é que o impacto nas fiscalizações de rotina seja sentido com força total ao longo de 2026.
O que acontece se a empresa não tiver gestão de riscos psicossociais?
Ela pode ser autuada por descumprimento da NR-1 (falha no PGR) e da Lei 14.457/22 (falta de canal de denúncias e combate ao assédio), gerando multas administrativas e passivos trabalhistas no Ministério Público do Trabalho (MPT).
O Canal de Acolhimento serve como prova na fiscalização da NR-1?
Sim. Os relatórios gerenciais, o registro de atendimentos (anonimizados) e os planos de ação derivados do canal servem como evidência documental de que a empresa cumpre seu dever de vigilância e cuidado com a saúde mental.



