O assédio moral no ambiente de trabalho é uma forma de violência psicológica que compromete não apenas a produtividade, mas a saúde e a dignidade do colaborador. Caracterizado por comportamentos abusivos, repetitivos e intencionais, ele cria um ambiente hostil que exige uma postura firme de Compliance e intervenção estratégica do RH.
Neste artigo, detalhamos como identificar os sinais de alerta, as formas como essa prática se manifesta e o que as empresas devem fazer para combater e prevenir o assédio moral, garantindo a segurança psicológica de suas equipes.
O que é assédio moral no trabalho?
De acordo com a legislação e diretrizes de governança, o assédio moral no trabalho consiste na exposição de colaboradores a situações humilhantes e constrangedoras de forma repetitiva e prolongada. Essa prática visa desestabilizar a vítima emocionalmente e, muitas vezes, forçar sua saída da organização.
Diferente de conflitos isolados ou cobranças profissionais legítimas, o assédio moral é uma agressão sistemática que fere a integridade do trabalhador e a cultura organizacional.
Como o assédio moral se manifesta: Tipos e Exemplos
O assédio pode ocorrer em diferentes direções dentro da hierarquia da empresa:
- Assédio Moral Vertical Descendente: Praticado por superiores contra subordinados. É a forma mais comum e envolve abuso de poder.
- Assédio Moral Horizontal: Ocorre entre colegas do mesmo nível hierárquico, muitas vezes motivado por competitividade excessiva ou preconceito.
- Assédio Moral Vertical Ascendente: Praticado por subordinados contra um gestor, visando desestabilizar sua liderança.
- Assédio Moral Organizacional: Quando a própria cultura da empresa incentiva práticas abusivas, como metas impossíveis ou pressão psicológica constante.
Exemplos comuns de práticas abusivas:
- Atribuir tarefas inúteis ou degradantes.
- Ignorar ou isolar o colaborador deliberadamente.
- Criticar o trabalho de forma agressiva e pública.
- Espalhar rumores e boatos maldosos.
- Retirar ferramentas de trabalho necessárias para o desempenho da função.
7 Sinais de assédio moral no ambiente de trabalho
Identificar o assédio precocemente é fundamental para minimizar os danos. Fique atento a estes indicadores:
1) Queda drástica na produtividade e concentração
O estresse contínuo prejudica a capacidade cognitiva. Se um colaborador excelente começa a cometer erros básicos ou demonstra dificuldade de foco após mudanças na gestão ou equipe, pode haver uma causa oculta.

2) Isolamento social e exclusão
A vítima passa a ser excluída de reuniões, almoços e comunicações importantes. O agressor “esquece” de copiar o colaborador em e-mails ou para de dirigir a palavra a ele, incentivando outros a fazerem o mesmo.
3) Alterações na autoestima e comportamento
O profissional começa a duvidar de sua própria competência. Sinais de insegurança, tristeza profunda e mudança no tom de voz em reuniões são evidências de que a saúde emocional está sendo afetada.
4) Estado de cansaço constante e insônia
O corpo reage à tensão. Pesadelos frequentes, dificuldade para dormir e a sensação de que o descanso nunca é suficiente são sintomas físicos clássicos de quem sofre assédio
5)Somatização: Dores de cabeça e problemas gástricos
O estresse psicológico se manifesta fisicamente. Dores de cabeça recorrentes, crises de gastrite, palpitações e tremores são sinais de que o ambiente de trabalho tornou-se tóxico para o organismo
6)Tratamento discriminatório e preconceituoso
Ataques baseados em raça, gênero, orientação sexual ou religião são formas graves de assédio moral. Piadas ofensivas e comentários pejorativos disfarçados de “brincadeira” devem ser combatidos imediatamente.
7)Microgerenciamento e cobranças abusiva
Monitorar cada minuto do colaborador ou exigir metas inatingíveis de forma desproporcional em relação ao restante da equipe é uma estratégia de pressão psicológica para levar a vítima ao esgotamento.
O que a lei diz sobre assédio moral no Brasil?
Embora não exista uma lei federal única com o nome “Lei do Assédio Moral”, a prática é combatida através de diversos mecanismos legais:
- Constituição Federal: Protege a dignidade da pessoa humana.
- CLT (Consolidação das Leis do Trabalho): O assédio pode justificar a rescisão indireta (quando o funcionário “demite” a empresa por justa causa do empregador).
- Código Civil: Garante o direito a indenizações por danos morais.
- Lei 14.457/22: Obriga empresas com CIPA a adotarem medidas de prevenção e combate ao assédio e outras formas de violência.
O papel do RH e do Compliance: Como intervir?
A intervenção deve ser rápida, imparcial e protegida contra retaliações.
1)Canal de Denúncias Independente
Ter um canal de denúncias externo, como o oferecido pela Contato Seguro, é a forma mais eficaz de encorajar relatos. O anonimato garante que a vítima ou testemunha se sinta segura para falar sem medo de represálias.
2)Investigação e Sanções
Cada denúncia deve ser apurada com rigor. Caso o assédio seja comprovado, a empresa deve aplicar sanções previstas no Código de Conduta, que podem ir de advertências à demissão por justa causa.
3) Apoio Psicológico
A empresa deve oferecer suporte à vítima, garantindo que ela receba o acolhimento necessário para recuperar sua saúde mental e reintegração ao ambiente de trabalho.
4)Treinamento de Liderança e Cultura
Combater o assédio exige mudar a mentalidade. Treinamentos sobre liderança positiva, comunicação não violenta e ética são essenciais para prevenir que o assédio se instale.
Conclusão
O assédio moral é um risco invisível que corrói os resultados e a reputação de qualquer organização. Identificar os 7 sinais e agir com prontidão é um dever de toda empresa comprometida com a ética e a sustentabilidade humana.
Se sua empresa busca fortalecer o ambiente de trabalho e cumprir as exigências da Lei 14.457/22, implementar um canal de ética eficiente é o primeiro passo para transformar silêncio em proteção.
Assédio moral no ambiente de trabalho é a exposição de colaboradores a gestos, palavras e comportamentos repetitivos que são humilhantes e constrangedores, visando prejudicar sua integridade física e psicológica.
Sinais comuns incluem redução da produtividade, isolamento social, baixa autoestima, cansaço constante, dores de cabeça frequentes e tratamento discriminatório.
O RH deve manter uma postura ativa de escuta, garantir a confidencialidade, orientar sobre a coleta de provas e adotar medidas firmes contra o agressor, além de encorajar o colaborador a buscar auxílio jurídico.
Um Canal de Denúncia é crucial para que os funcionários possam reportar violências sem medo de retaliações, garantindo que a empresa tome medidas apropriadas rapidamente e mantenha um ambiente de trabalho saudável e seguro.
Mulheres, especialmente negras, são frequentemente mais vulneráveis ao assédio moral no Brasil, devido à intersecção entre sexismo e racismo no ambiente de trabalho.
Embora não haja uma lei federal específica sobre assédio moral, práticas abusivas podem acarretar penalidades nas esferas administrativa, trabalhista, civil e criminal. A Lei 14.457 de 2023 aborda o combate ao assédio sexual no trabalho.




