Como Demitir um Funcionário: O Roteiro do RH para um Desligamento Humanizado e Seguro

A imagem apresenta duas pessoas em uma interação próxima, com foco em uma mulher .
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Tempo de Leitura: 7 Minutos

Aprenda a conduzir desligamentos com segurança jurídica e responsabilidade emocional para proteger seu clima organizacional. Saiba mais!

Ninguém gosta de desligar um funcionário. É o momento de maior tensão na jornada corporativa e onde a cultura da empresa é, de fato, colocada à prova. 

Se você atua no RH ou ocupa um cargo de liderança, sabe que a responsabilidade de demitir um funcionário vai muito além de assinar papéis rescisórios.

Uma demissão mal conduzida é a receita certa para exposição negativa em redes sociais (como o LinkedIn e o Glassdoor), processos trabalhistas por danos morais e, principalmente, uma queda drástica na motivação e na confiança de quem continua na empresa.

Neste artigo, vamos entregar um roteiro de desligamento seguro e prático para você que trabalha no RH ou lidera equipes. 

Você vai aprender o passo a passo da conversa para garantir segurança jurídica, responsabilidade emocional e o suporte necessário para quem fica.

Leia mais: Segurança Psicológica no Trabalho como indispensável às empresas: O ativo oculto da Gestão de Riscos

O Panorama do Desligamento no Mercado Brasileiro

Entender o contexto de mercado é fundamental para perceber que a demissão humanizada não é apenas uma questão de empatia, mas uma estratégia central de negócio. 

Dados do setor indicam que o custo total de uma substituição pode chegar a 1,5 vez o salário anual do colaborador, considerando encargos, tempo de recrutamento e a inevitável perda de produtividade.

Quando o processo de demitir um funcionário é feito de forma amadora, a empresa sangra por todos os lados. Veja os impactos reais na operação:

  • Impacto na Marca Empregadora (Employer Branding): Uma pesquisa mostrou que 76% dos candidatos pesquisam a reputação da empresa em plataformas (como o Glassdoor ou o próprio LinkedIn) antes de aceitar uma proposta. Uma demissão traumática vira um review negativo no mesmo dia.
  • Riscos Jurídicos: Falhas na comunicação, humilhações ou exposições desnecessárias durante o desligamento são as causas principais de processos trabalhistas por danos morais no Brasil.
  • Clima Organizacional: A produtividade da equipe remanescente pode apresentar uma queda brusca após um corte mal gerido, movida pelo medo e pela insegurança.
  • Retenção de Talentos: Profissionais de alta performance observam tudo. Eles tendem a pedir demissão proativamente de empresas que tratam ex-colaboradores com desrespeito, pois projetam esse mesmo tratamento para si mesmos no futuro.

A Regra de Ouro: A demissão nunca pode ser uma surpresa

Antes de falarmos sobre o roteiro da conversa, é preciso estabelecer a regra de ouro do RH estratégico: a demissão deve ser o fim de um processo, não uma surpresa.

Se o colaborador for pego totalmente desprevenido, significa que a cultura de feedback da sua empresa falhou. 

O Papel do Feedback Contínuo

Manter uma rotina de conversas claras sobre desempenho permite que o colaborador entenda seus pontos de melhoria e as expectativas da empresa. 

Quando os avisos são dados previamente, o desligamento torna-se uma consequência lógica de um desalinhamento que não pôde ser corrigido a tempo.

Essa transparência reduz o choque emocional e minimiza o sentimento de injustiça, que é o principal gatilho para conflitos judiciais futuros. 

O líder deve atuar como um mentor, deixando claro quais são os critérios técnicos e comportamentais que sustentam a permanência do profissional no time.

Documentação como Proteção Jurídica

Registrar formalmente todas as etapas de feedback e planos de desenvolvimento individual (PDI) é essencial para resguardar a empresa em qualquer cenário. 

Além de proteger o CNPJ, a documentação ajuda o RH a analisar se a liderança está sendo justa e coerente em suas decisões de corte. 

Ter esse histórico documentado resguarda a empresa juridicamente e torna o momento da demissão mais compreensível para o profissional. 

Mais do que evitar um processo trabalhista padrão, essa transparência prévia atua diretamente na prevenção de riscos psicossociais: uma exigência contínua da NR-1

Afinal, reduzir o choque repentino e o sentimento de injustiça é mitigar um gatilho severo de estresse agudo e adoecimento mental associado ao trabalho.

Inclusive, é nesta fase preventiva que contar com um Canal de Acolhimento terceirizado se mostra essencial. Muitas vezes, a queda de performance que seria motivo de demissão é, na verdade, um sintoma silencioso de burnout ou problemas pessoais. 

Ter psicólogos ouvindo a equipe antes que ela chegue ao limite evita demissões injustas e recupera talentos.

O Roteiro de Desligamento: Passo a passo da conversa

O momento da comunicação exige preparo. A demissão precisa ser um processo cirúrgico, rápido, mas extremamente respeitoso. Veja o que fazer (e o que não fazer) durante a reunião:

Passo 1. Vá direto ao ponto (Sem rodeios)

Não comece a reunião contornando o assunto ou fazendo “small talk”. A primeira ou segunda frase já deve ser a comunicação clara do desligamento.

  • Exemplo: “[Nome], chamei você aqui hoje para comunicar que a empresa tomou a decisão de encerrar o seu contrato de trabalho.”

Passo 2. Seja claro e breve sobre o motivo

Explique o “porquê” de forma objetiva (ex: reestruturação de área, corte de custos ou desalinhamento técnico contínuo). 

Atenção: este não é o momento para debater ou dar um longo feedback de desenvolvimento (o que, como explicamos anteriormente, deve ser feito previamente, como uma tentativa de evitar o desligamento). 

Lembre-se que nesse momento é possível que o colaborador não possa absorver críticas construtivas. Seja firme e respeitoso.

Passo 3. Aja com empatia

É natural que o profissional reaja com choro, raiva, negação ou silêncio absoluto. Acolha a emoção. Ofereça uma água, dê tempo para a pessoa respirar, mas não volte atrás na decisão e não crie falsas esperanças. 

Evite frases como “Se dependesse de mim, você ficaria”, pois isso tira a responsabilidade do líder e joga a empresa contra o ex-funcionário.

O preparo mental do gestor para suportar essa carga emocional é o que garante que a conversa não fuja do controle. Oferecer mecanismos de escuta para os funcionários, incluindo os gestores, também é importante para esse suporte.

Passo 4. Fale sobre os próximos passos práticos

Após o impacto inicial, conduza a conversa para as questões burocráticas essenciais ou passe a palavra para o Business Partner (BP) do RH. 

Explique como funcionará o aviso prévio (trabalhado ou indenizado), a devolução de equipamentos (notebook, crachá), o acesso aos benefícios (como plano de saúde) e os próximos contatos para a assinatura da rescisão.

A imagem apresenta um infográfico intitulado

O dia seguinte: Como lidar com a ansiedade da equipe

O grande erro de muitas empresas é focar 100% da energia no profissional que está saindo e esquecer de quem fica. A demissão acabou, mas e a equipe?

A equipe remanescente frequentemente desenvolve o que a psicologia organizacional chama de “Síndrome do Sobrevivente”, a qual pode acometer, principalmente, funcionários que permanecem na empresa após um processo de demissões em massa (downsizing). 

Os colegas sentem medo (“Será que eu serei o próximo?”), tristeza pela perda do convívio diário e uma ansiedade enorme em relação à sobrecarga temporária de trabalho que herdarão. 

Nessas primeiras 48 horas, o clima organizacional pode ser afetado. A entrevista de desligamento com quem sai fornece dados, mas a escuta ativa com quem fica fornece a estabilidade necessária para a continuidade do negócio. 

Tratar a ansiedade da equipe como prioridade impede que o engajamento despenque e que outros talentos comecem a buscar novas oportunidades.

Canal de Acolhimento: Protegendo a saúde mental de líderes e liderados

É exatamente no pós-demissão que a inteligência emocional da empresa é testada. Para garantir que as reestruturações não destruam o clima, o RH precisa oferecer suporte estruturado. O Canal de Acolhimento da Contato Seguro atua como a rede de proteção da sua empresa nesse momento crítico:

Apoio ao Líder

Demitir gera picos de estresse, culpa e ansiedade severa. Não é à toa que a sobrecarga emocional das lideranças atingiu níveis alarmantes: pesquisas recentes apontam que 78% dos profissionais de RH, por exemplo, sentem sobrecarga de média a extrema intensidade. 

A responsabilidade por decisões difíceis (como o desligamento de pessoas) isola o gestor. Sabendo disso, o líder pode acionar o Canal de Acolhimento de forma sigilosa para cuidar da própria saúde mental antes ou logo após conduzir a demissão.

Contenção do time 

A equipe que fica ganha uma via segura, 24/7 e anônima para desabafar sobre a insegurança, o medo de demissões em massa e a nova carga de trabalho. Ter profissionais capacitados para ouvir essas angústias evita que a ansiedade se transforme em fofoca tóxica ou impulsione um surto de burnout coletivo.

Termômetro do Clima para o RH

A escuta vira dado. O Canal entrega relatórios anonimizados ao RH, mostrando como a equipe está reagindo nos bastidores. 

Com isso, a diretoria e a Gestão de Pessoas sabem rapidamente se aquela demissão específica quebrou a confiança do time e se precisam intervir com uma comunicação mais clara para acalmar os ânimos e reter talentos.

Conclusão: Saber Conduzir um Desligamento também é Cuidar da Saúde Mental das Pessoas

Demitir faz parte do ciclo natural dos negócios. No entanto, a forma como a sua empresa conduz a saída de um colaborador e, principalmente, como protege a mente dos profissionais que continuam na operação, é o que define uma cultura organizacional forte e madura.

O seu RH está preparado para lidar com o impacto emocional das reestruturações? 

Fale com nossos especialistas e descubra como o Canal de Acolhimento blinda o clima da sua equipe e apoia suas lideranças nos momentos mais críticos.

Dúvidas Frequentes 

Como posso demitir um funcionário de forma humanizada? 

Com clareza, respeito e empatia. Ela deve ser feita presencialmente (ou por videochamada com câmera aberta no caso de trabalho remoto), em um ambiente privado, sem rodeios e preservando a dignidade do profissional. 

Como posso desligar um colaborador de forma ética? 

Respeitando o histórico do profissional. A demissão nunca deve ser uma surpresa punitiva; ela deve ser a consequência de processos de feedback anteriores que não surtiram o efeito esperado (exceto em casos de justa causa imediata). A ética também envolve manter o sigilo absoluto sobre os motivos do desligamento.

Como comunicar o desligamento de um funcionário para a equipe? 

A comunicação deve ser feita o mais rápido possível após a demissão, preferencialmente em uma reunião rápida com o time direto. O líder deve ser transparente sobre a saída, esclarecendo como ficará a divisão de tarefas no curto prazo.

O que é rescisão humanizada? 

Envolve uma entrevista de desligamento respeitosa, agilidade no pagamento das verbas rescisórias, extensão de benefícios (como plano de saúde por alguns meses) e o fornecimento de cartas de recomendação, caso a saída não tenha sido por justa causa.

Quais palavras usar para desligar um funcionário? 

Use frases diretas, no tom de voz neutro e profissional. Exemplo: “João, após avaliarmos os últimos meses e os desalinhamentos que conversamos anteriormente, a empresa tomou a decisão de encerrar o seu contrato hoje”

Quais palavras evitar para desligar um funcionário? 

Evite usar palavras como “Eu sinto muito, mas…”, “Foi difícil para mim…” ou “Você é ótimo, mas…”, pois isso gera confusão na mensagem central.

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