No dinâmico cenário corporativo de 2026, a máxima de que um colaborador feliz reflete um cliente feliz, deixou de ser um clichê de marketing para se tornar o alicerce da sustentabilidade financeira das empresas.
A partir desse contexto que o cuidado com a saúde mental se tornou essencial em empresas de qualquer porte, retirando o cliente externo do centro do foco e abrindo espaço para o cliente interno, que na figura do colaborador, passa a ser a peça principal para o sucesso de uma empresa em seu nicho de atuação.
Com o capital humano no centro das estratégias, as organizações estão compreendendo que o colaborador é o motor que sustenta a produtividade e a experiência do consumidor.
No entanto, um sinal de alerta ainda segue latente no mercado brasileiro.
Com o crescimento exponencial de casos de ansiedade, depressão e burnout que já soma mais de 150 mil afastamentos anuais, oneração de custos e pressão nas estruturas de Recursos Humanos hoje, refletem a falta de mecanismos de apoio especializados e estruturados com foco em pessoas no ambiente interno das companhias.
O rigor da lei e o compromisso ético
A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) surge como um divisor de águas nesse percurso. Como afirma o psicanalista e psiquiatra Christophe Dejours, “Trabalhar não é somente produzir, mas também transformar-se a si mesmo”.
Mais do que uma adequação técnica ao Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), a nova abordagem reforça a responsabilidade das empresas sobre o ambiente de trabalho sob a ótica da saúde mental.
A conformidade legal agora exige um compromisso real com a prevenção e o acompanhamento do clima organizacional, transformando o cuidado emocional em uma obrigação estratégica e normativa.
Da percepção à precisão: O RH baseado em dados
Historicamente, as decisões de bem-estar no RH eram pautadas por percepções subjetivas e planos com objetivo apenas na união entre os colaboradores.
Hoje, a evolução aponta para o People Analytics. Ao adotar dados analíticos, o RH deixa de ser uma área meramente executora para ocupar um assento estratégico junto à diretoria.
Com informações estruturadas, a gestão consegue mapear incidências de transtornos, antecipar riscos de turnover e direcionar investimentos de forma mais clara e assertiva.
Canais de acolhimento: A escuta que salva e estrutura
Para esta nova era, uma das soluções mais eficazes é o Canal de Acolhimento.
Diferente de um canal de denúncias comum, este espaço é guiado por psicólogos e ouvidores capacitados que oferecem escuta qualificada, sigilosa e ética.
Contudo, é importante ressaltar um limite técnico fundamental: o RH não deve assumir um papel terapêutico dentro das organizações.
Um canal externo garante a ética profissional e a segurança psicológica, devolvendo à empresa dados anônimos que se transformam em inteligência de negócio, com uma condução mais humanizada.
Na prática, especialistas da Contato Seguro enfatizam que o Canal de Acolhimento atua como uma barreira preventiva em direção ao aumento de atestados e afastamentos.
Ter um suporte imediato à disposição do colaborador pode evitar desligamentos precipitados, permitindo que, em momentos de crise emocional, ao encontrar o acolhimento adequado para a pressão psicológica vivida, a pessoa reorganize suas emoções e retorne ao posto de trabalho com clareza e segurança, evitando os altos custos de uma nova contratação para as organizações e preservando a carreira.

Resultados que aparecem no balanço
As ações estruturantes, como treinamentos de liderança, semanas de saúde mental e comunicação ativa, deixaram de ser itens secundários para se tornarem centrais. Os resultados são tangíveis e incluem três pilares:
- Redução de afastamentos por CIDs de saúde mental;
- Aumento da produtividade e engajamento;
- Fortalecimento da marca empregadora (employer branding).
O RH do futuro é, portanto, uma intersecção entre o humano e o exato. Ao olharmos para os indicadores e para as pessoas, a pergunta que fica é: no dia a dia da sua empresa, o colaborador é realmente colocado no centro das decisões ou as ações ainda são reativas a problemas já instalados?
Neste cenário, a reflexão é o primeiro passo para a perenidade de qualquer empresa no século XXI.
A conclusão da pesquisa aponta que, sim, é momento de olhar para o colaborador não como número, mas como ser humano que atua em uma empresa. As empresas brasileiras precisam entender essa necessidade para ter, cada vez mais, um cuidado sincero e transparente.



