Entenda como RH e Compliance podem ir além do suporte executivo, alinhar a NR-1 à governança e conquistar protagonismo junto à diretoria.
A união entre Recursos Humanos e Compliance é o pilar central para organizações que buscam construir uma governança corporativa sólida e um ambiente de trabalho psicologicamente seguro.
Diante das atualizações da Norma Regulamentadora Nº 1 (NR-1) e do crescimento dos afastamentos por motivos de saúde mental, alinhar a gestão de pessoas à conformidade legal deixou de ser um processo puramente operacional e passou a ocupar a mesa da diretoria.
Com o tema “RH e Compliance: da operação à mesa da diretoria”, a 8ª edição do Contato Seguro Talks debateu como integrar essas duas áreas para antecipar riscos, promover a equidade e fortalecer a cultura de cuidado nas empresas.
O encontro contou com a palestra da especialista Fernanda Leite, psicóloga, neurocientista e fundadora da Mandacaru Thinking, referência em cultura organizacional e governança.
O desafio da NR-1 e o impacto dos riscos psicossociais
Durante o evento, Fernanda destacou que a inclusão dos riscos psicossociais na NR-1 não deve ser interpretada como uma exigência puramente burocrática, mas como uma transformação que atravessa a cultura da organização.
Para contextualizar o impacto desse cenário no mercado corporativo, foram apresentados dados alarmantes pela palestrante: no último ano, foram registrados mais de 500.000 afastamentos motivados por transtornos mentais, gerando um custo superior a R$ 3,5 bilhões para a previdência.
A perda de produtividade e engajamento ocorre meses antes de o afastamento formal ser registrado.
Sem um ambiente que garanta segurança psicológica, o profissional tende a omitir suas dificuldades por receio de represálias ou por tabus estruturais.
Fatores como sobrecarga mental, jornadas prolongadas e a falta de autonomia nas rotinas operacionais geram desgastes contínuos que afetam diretamente os resultados do negócio e o DRE da empresa.
Governança, equidade e coerência cultural
Para consolidar uma verdadeira cultura de cuidado, é fundamental que o discurso da alta liderança esteja refletido nas práticas cotidianas.
Com base nos pilares do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) (transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade), a gestão precisa combater assimetrias e favorecimentos internos que geram desconfiança na equipe.
A governança corporativa perde sua força prática quando existe um desalinhamento entre o que é cobrado da operação e o que é praticado no topo.
Cuidar da cultura e da conformidade não é responsabilidade exclusiva do setor de RH, mas sim uma pauta estratégica que deve ser liderada de forma contínua pela alta gestão.
| Princípio da governança | Aplicação prática na Gestão de Pessoas. |
| Transparência | Comunicação clara sobre processos, decisões e políticas internas. |
| Equidade | Tratamento justo e eliminação de favorecimentos ou privilégios injustificados. |
| Prestação de contas | Acompanhamento contínuo de indicadores como absenteísmo, rotatividade e horas extras. |
| Responsabilidade | Atuação preventiva na proteção da saúde mental e na sustentabilidade do negócio. |
A neurociência da escuta e o papel dos canais de proteção
Conflitos de comunicação e atritos no ambiente de trabalho muitas vezes funcionam como mecanismos de defesa de profissionais expostos ao estresse crônico.
Para reverter esse quadro, o webinar abordou o conceito de escuta generativa (ou profunda).
Estudos da neurociência indicam que dedicar 8 minutos a uma escuta atenta e sem julgamentos é suficiente para estimular a produção de oxitocina, hormônio fundamental para a construção de laços de confiança e empatia nas relações profissionais.
Nesse processo, a implementação de ferramentas institucionais de escuta é indispensável:
- Canal de Denúncias: um Canal de Denúncias externo é um recurso essencial para relatar inconsistências, fraudes e assédios de forma anônima e imparcial, permitindo que a empresa identifique falhas e corrija condutas antes que se tornem passivos judiciais.
- Canal de Acolhimento: implementar um Canal de Acolhimento fornece suporte psicológico preventivo (disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana), que oferece um espaço seguro para o colaborador cuidar da sua saúde mental.
Estruturação de comitês multidisciplinares de cuidado
Para garantir que o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) seja eficiente e abrangente, Leite recomendou a criação de Comitês Multidisciplinares de Cuidado.
Essa estrutura ajuda a conectar as demandas da operação diretamente à diretoria, estabelecendo metas e responsabilidades claras.
Um comitê de cuidado de alta performance deve ser composto por representantes de diversas especialidades:
- Alta Liderança e Diretoria;
- Recursos Humanos (RH);
- Jurídico e Compliance;
- Segurança do Trabalho (CIPA);
- Especialistas em Psicologia, Neurociência ou Sociologia.
Essa abordagem multidisciplinar evita análises simplistas que responsabilizam apenas o indivíduo, permitindo diagnosticar causas sistêmicas e falhas de processo que afetam o bem-estar e o desempenho coletivo.
Sobre o Contato Seguro Talks
O Contato Seguro Talks é uma trilha contínua de webinars dedicada à capacitação de profissionais e gestores na construção de ambientes de trabalho mais saudáveis, seguros e produtivos.
A cada encontro, especialistas trazem conceitos atualizados sobre compliance, gestão de pessoas e legislação corporativa.
Os participantes recebem um certificado individual de participação e, ao completarem 80% da jornada semestral de eventos, são contemplados com o Certificado Master da Contato Seguro.
O próximo encontro já está agendado: será no dia 17 de setembro, às 16h, com o palestrante Thiago Atanásio, abordando o tema “Liderança imbatível: coragem psicológica para resultados e bem-estar”.
Conclusão
A 8ª edição do Contato Seguro Talks reforçou que a integração entre RH e Compliance é o caminho mais seguro para transformar as exigências da NR-1 em um diferencial competitivo.
Ao priorizar a equidade, eliminar inconsistências entre o discurso e a prática, e oferecer canais oficiais de escuta e acolhimento, as organizações reduzem passivos trabalhistas, fortalecem a marca empregadora e constroem um ecossistema propício para a alta performance.
Garanta sua vaga gratuita no próximo Contato Seguro Talks e continue atualizando sua gestão!
FAQ
1. Qual foi o foco principal do webinar “RH e Compliance: da operação à mesa da diretoria”?
O evento abordou como o protagonismo estratégico e a integração entre RH e Compliance fortalecem a governança corporativa, atendem às exigências da NR-1 e transformam dados operacionais em decisões estratégicas.
2. O que é a escuta generativa e como ela impacta o ambiente de trabalho?
A escuta generativa (ou profunda) reserva um tempo de atenção real ao colaborador. Segundo a neurociência, 8 minutos dessa prática incentivam a produção de oxitocina, fortalecendo a segurança psicológica e a empatia nas equipes.
3. Qual é a importância da equidade na gestão de pessoas e compliance?
A equidade elimina favorecimentos e privilégios injustificados. Quando a liderança cobra resultados da operação, mas não aplica as mesmas regras ou contenções a si mesma, a confiança da equipe é quebrada e a cultura de cuidado falha.
4. De que forma o Canal de Denúncias e o Canal de Acolhimento se complementam?
O Canal de Denúncias garante o anonimato para relatar desvios de conduta e descumprimentos de políticas, enquanto o Canal de Acolhimento Emocional oferece suporte psicológico preventivo para o bem-estar mental dos colaboradores.
5. Quem deve fazer parte de um Comitê de Cuidado nas empresas?
O comitê deve ser multidisciplinar, incluindo membros da alta diretoria, RH, Compliance, Jurídico, Segurança do Trabalho (CIPA) e profissionais das áreas de psicologia ou ciências humanas.




