A preocupação atual de grandes empresas é com a saúde mental dos colaboradores. E os números só crescem. Em 2024, por exemplo, o Brasil registrou 470 mil pedidos de afastamento por transtornos mentais.
Mas, neste cenário, não é apenas a operação da sua empresa que se torna vulnerável. Os seus gestores também. Será que a sua equipe de líderes está com sobrecarga emocional?
São eles quem carregam a responsabilidade das equipes e atuam como uma ponte entre a diretoria, os canais para promoção da saúde mental e a reclamação dos funcionários. Pesado, né?
Lembre-se sempre: a exaustão emocional dos líderes não é um problema individual; ela impacta diretamente a capacidade da equipe de produzir, inovar e se adaptar.
Neste artigo, você vai entender como identificar a sobrecarga emocional gestores, de que forma os riscos invisíveis podem afetar as organizações e, o mais importante, como preveni-la de forma eficaz.
Resumo do conteúdo
- Gestores, especialmente do RH, podem viver sobrecarga emocional invisível que afeta decisões, clima e performance.
- Dados mostram que 53% dos profissionais de RH sofrem ansiedade, burnout e depressão.
- Lideranças adoecem silenciosamente e ignorar esse fato pode levar a empresa a perder talentos, governança, dinheiro e reputação.
- Obrigatoriedade Legal: A NR-1 exige o rastreamento de riscos psicossociais para todos os colaboradores, incluindo gestores, em seu Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).
- Diferenças: é essencial distinguir entre o Canal de Denúncias e o Canal de Acolhimento.
- Ações Práticas: Veja 5 ações implementáveis para prevenção, como Check-in emocional mensal com cada gestor e Programas específicos de saúde emocional para lideranças.
Que tal entender o papel do Canal de Acolhimento na prevenção da sobrecarga emocional de gestores e colaboradores?
Sobrecarga emocional dos gestores: o peso das decisões difíceis
A sobrecarga emocional dos gestores se revela no acúmulo de tensões, estresse e demandas emocionais inerentes à posição de liderança, que exige constante mediação e tomada de decisão em um ambiente de alta pressão.
Líderes são constantemente submetidos a pressões da diretoria, que, na maioria das vezes, exige resultados frequentemente sem considerar os detalhes e a situação real específica de cada setor.
Negociar essas metas, resultados e reorganizações exige jogo de cintura e muita inteligência emocional.
Na outra ponta, as equipes passam por conflitos, suas próprias sobrecargas emocionais e precisam de suporte constante, tanto estratégico e operacional quanto emocional.
É o gestor, ainda, que toma responsabilidade por decisões difíceis, como demissões e alterações de rotina, implementação de treinamentos, identificação de necessidades, e assim por diante.
Um terceiro ponto é um certo isolamento natural da função: o gestor tem acesso a diversas informações que não podem ser livremente compartilhadas. Isso limita sua comunicação e, se houver cultura tóxica na organização, pode tornar seu trabalho pouco transparente e gerar desaprovação.
Por fim, podemos apontar ainda para a ausência de apoio estruturado: quem cuida de quem lidera?
Esse desafio deve ser observado pelas empresas. De acordo com Cris Hohenberger, Chief Marketing Officer da Contato Seguro, nem sempre esse cuidado é pensado e implementado nas organizações.
“Isso faz com que o gestor lidere de forma solitária, levando-o, muitas vezes, à exaustão emocional”, afirma.
Pesquisas apontam para a dimensão do problema
É claro que existe uma preocupação das empresas em garantir um cuidado mais direto com os colaboradores.
O anuário de saúde mental mostra um avanço de 62% nas práticas corporativas para evitar mais adoecimentos. Porém, nem sempre isso basta ou reflete em todos os colaboradores.
A pesquisa Recarrega RH, realizada pela Flash, entrevistou 889 profissionais de RH em todo o Brasil e mostrou que 78% deles sentem sobrecarga de média a extrema intensidade.
Levantamento da Fundação Getúlio Vargas também aponta para os riscos da saúde dos gestores, observando que o cuidado com a saúde mental dos líderes é ignorado pelas organizações.
O aumento de 134% nos afastamentos por saúde mental no trabalho em 2024 também abarcam os gestores, embora isso nem sempre seja lembrado.
Riscos invisíveis que gestores enfrentam e a NR-1
A Norma Regulamentadora (NR) 1 entende riscos psicossociais como qualquer situação, padrão de comportamento ou fatores de organização do trabalho que contribuem com o adoecimento emocional e psíquico no ambiente de trabalho.
A atualização da NR-1 exige o rastreamento de riscos psicossociais (jornadas excessivas, pressão psicológica, assédio moral, falta de autonomia, falta de suporte) no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).
Gestores, por “apagarem incêndios” constantes, são vítimas diretas desses fatores. Por isso, quando estão esgotados, perdem a concentração e podem agir de forma destrutiva com seus liderados, gerando um ciclo de desengajamento e turnover.
Riscos que sua liderança pode enfrentar e você não sabe:
- Jornadas excessivas: pela grande responsabilidade, gestores também podem acabar trabalhando mais do que a jornada, “apagando incêndios”, lidando com situações urgentes;
- Pressão psicológica: desde as exigências da diretoria aos problemas dos colaboradores, o gestor é solicitado a todo momento para solucionar conflitos, superar resultados e sustentar o setor;
- Falta de autonomia: juntando esses fatores, é possível que o gestor perca sua autonomia, tornando-se incapacitado de traçar uma estratégia e analisar as situações com qualidades, para responder às demandas do momento.
- Falta de suporte: enquanto todos pedem ajuda a ele, ninguém pergunta se ele precisa de algo. É verdade que o líder toma decisões e deve dar o “tom” do clima e da motivação para o seu time, mas isso não significa que ele seja infalível.
Sobrecarga emocional prejudica decisões e a equipe
Líderes esgotados deixam de apresentar comportamentos positivos de liderança, e estão mais propensos a agir de forma destrutiva com seus colaboradores.
Um gestor lidando com sobrecarga ou sem preparo emocional pode cometer erros de julgamento, o que pode enrijecer o comportamento.
Naturalmente, haverá um desengajamento entre gestor e trabalhadores, o que pode levar à insatisfação geral no time, afastamentos, aumento do turnover e negligência quanto à saúde mental da equipe.

Canal de Acolhimento: seu líder precisa deste cuidado
Você já deve saber que o Canal de denúncias é fundamental para oferecer um espaço de escuta ativa que proteja o maior ativo do seu negócio: as pessoas.
Essa ferramenta também é essencial para evitar multas pesadas, subnotificação de riscos graves e um efeito cascata de afastamentos médicos.
Mas existe outra ferramenta, tão importante quanto, que atua na raiz da sobrecarga emocional: o Canal de Acolhimento. Veja a diferença entre as duas soluções:
- Canal de Denúncias: O canal de denúncia tem como foco principal o combate a irregularidades, a escuta e a proteção. É uma exigência da Lei 14.457/22 para empresas que possuem CIPA.
- Canal de Acolhimento (Foco em Saúde Mental): um espaço de escuta emocional, voltado para ouvir colaboradores que enfrentam situações de estresse, conflitos ou dificuldades pessoais no ambiente de trabalho. Esse canal oferece suporte psicológico de psicólogos-ouvidores.
Por que o Acolhimento reduz a carga do RH?
O RH fica sobrecarregado tentando atuar como “psicólogo” da empresa. Essa situação é familiar para você?
Bom, o Canal de Acolhimento transfere essa demanda emocional para especialistas externos, filtrando crises antes que elas se tornem denúncias graves ou afastamentos médicos.
Embora não seja obrigatório pela legislação trabalhista, o Canal de Acolhimento contribui para o cumprimento da NR-1 atualizada, funcionando como um recurso que ajuda a empresa a manter a conformidade, reduzir riscos de multas e fortalecer a cultura de cuidado com as pessoas.
- Função do Canal de Acolhimento: Suporte psicológico e escuta emocional.
- Objetivo Principal: Prevenção de conflitos e afastamentos de forma sensível e humanizada, antes que se tornem críticos.
- Vantagem: Melhoria do clima organizacional e valorização do bem-estar e da saúde mental da equipe.

Para combater a sobrecarga emocional de gestores, veja algumas ações que sua empresa pode realizar a partir de agora.
Checklist: Ações Práticas e Legais para o RH Minimizar a Sobrecarga
Para atender às exigências da NR-1 e proteger a liderança, o RH pode adotar as seguintes medidas:
- Implementar o Canal de Acolhimento Externo: Ofereça uma válvula de escape profissional para que o gestor não precise carregar o fardo emocional sozinho.
- Realizar Check-in Emocional Mensal: Monitorar sinais de irritabilidade e fadiga cognitiva antes que o líder chegue ao burnout.
- Atualizar o PGR com Foco Psicossocial: Documentar formalmente os riscos emocionais da gestão, garantindo segurança jurídica perante a fiscalização.
- Programas de Mentoria para Lideranças: Espaço para que gestores compartilhem as nuances emocionais do cargo com mentores neutros.
- Revisão Participativa de Metas: Evitar metas abusivas que geram sobrecarga cognitiva e medo, alinhando a expectativa da diretoria à realidade do time.
Neste artigo, vimos que líderes estão tão vulneráveis à sobrecarga emocional quanto colaboradores.
A NR-1 traz a obrigatoriedade de rastrear riscos psicossociais para todos, incluindo a gestão. O Canal de Acolhimento é a ferramenta ideal para identificar esses fatores precocemente, protegendo a saúde mental do líder e o compliance da empresa.
Conheça o Canal de Acolhimento da Contato Seguro e alivie a pressão sobre seus gestores hoje mesmo!



