Especialista em comportamento humano destaca o custo do silêncio nas organizações e como a vulnerabilidade da liderança gera ambientes seguros e produtivos.
A gestão de riscos psicossociais nas organizações ganhou um novo e definitivo patamar de relevância com as atualizações da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1).
Diante do novo cenário regulatório, em que as empresas brasileiras precisam comprovar ações eficazes de mitigação de riscos ligados ao bem-estar emocional, a liderança assume um papel central de preservação do ambiente de trabalho.
Neste contexto, no dia 14 de maio, a Contato Seguro promoveu a quinta edição do Contato Seguro Talks, com o tema “Coragem psicológica: o novo poder dos gestores”.
O encontro foi conduzido por Thiago Athanázio, especialista em comportamento humano, cultura organizacional e vencedor do prêmio The Best Speaker Brasil.
O objetivo do webinar foi preparar gestores e profissionais de Recursos Humanos para enfrentar os desafios da gestão de pessoas por meio do acolhimento, da quebra de mitos corporativos e do desenvolvimento da segurança psicológica.
O paradoxo da liderança e a estatística do silêncio
A cultura organizacional costuma associar a figura do líder a uma máquina infalível, livre de medos e incertezas.
O palestrante Thiago Athanazio desmistificou essa percepção ao apontar que grande parte das lideranças de alta performance sentem medo.
A diferença crucial não reside na ausência do sentimento, mas na capacidade de agir mesmo quando ele está presente. A falta dessa habilidade gera o que o especialista chama de silêncio organizacional. Um dado alarmante apresentado no evento sintetiza essa realidade:
- 92% dos líderes identificam quais conversas sérias e cruciais seriam necessárias em suas equipes, mas apenas 14% realmente encontram espaço ou coragem para realizá-las.
Esse distanciamento cobra altos custos para a saúde do negócio e das pessoas, criando um ambiente suscetível ao surgimento de riscos psicossociais, absenteísmo e dores silenciosas.
Os 3 níveis do custo do silêncio nas empresas
Evitar o confronto direto de problemas sob o pretexto de preservar a harmonia da equipe é um dos maiores erros dos gestores.
Segundo Athanazio, o ato de se calar em situações críticas possui consequências que se desdobram em três camadas interdependentes:
- Custo relacional: o distanciamento emocional entre os membros da equipe e a quebra de confiança mútua.
- Custo operacional: perda de talentos brilhantes que pedem demissão por falta de alinhamento, projetos retidos no perfeccionismo e queda na inovação.
- Custo pessoal: o esgotamento do próprio gestor, que absorve a sobrecarga mental, resultando, muitas vezes, em estresse crônico e “burnout “mascarado de comprometimento”.
Nas palavras do palestrante: “Feedback não dado não é gentileza; é covardia disfarçada de diplomacia”. Além disso, reforçou que todo problema crônico em uma empresa é, no fundo, uma conversa que não aconteceu.
Leia também: Como o feedback melhora a retenção de talentos
A arquitetura da coragem psicológica: os 5 pilares
Para reverter esse cenário e construir uma liderança baseada em conexões genuínas, o webinar detalhou os cinco fundamentos práticos que sustentam uma gestão psicologicamente corajosa:
| Pilar | Ação prática na liderança |
| Honestidade | A coragem de dizer a verdade e expor o que precisa ser dito, abandonando falsas armaduras. |
| Vulnerabilidade | Reconhecer falhas e pedir ajuda, humanizando as relações de trabalho. |
| Conflito | Enfrentar as discussões necessárias de forma saudável e oportuna, em vez de adiá-las. |
| Imperfeição | Compreender o desvio como aprendizado e eliminar a paralisia provocada pelo perfeccionismo. |
| Limites | Estabelecer fronteiras claras e garantir períodos de descanso para a manutenção da alta performance. |
A vulnerabilidade se destaca como uma ferramenta de alta conversão operacional: dados apresentados pelo palestrante comprovam que 67% das equipes estão mais propensas a reportar erros antes que eles se transformem em crises quando possuem gestores que admitem suas próprias limitações e buscam apoio coletivo.
Vigília e presença consciente: o líder como exemplo vivo
O encerramento da palestra trouxe o conceito de “estado de vigília”: uma postura de atenção contínua aos estados internos da equipe e de si mesmo.
Liderar com coragem exige estar presente e consciente, evitando a armadilha de ignorar os problemas ou postergar as resoluções necessárias para o time.
A liderança eficaz e alinhada à cultura de bem-estar não se constrói apenas com discursos teóricos, mas pelo exemplo prático.
Quando o líder demonstra coragem psicológica e estabelece limites saudáveis, ele engaja seu time de forma orgânica e constrói uma barreira sólida contra o esgotamento emocional corporativo.
Sobre o Contato Seguro Talks
O Contato Seguro Talks é uma trilha de webinars mensais dedicada à capacitação de lideranças e profissionais de Recursos Humanos frente às atualizações da NR-1 e à gestão de riscos psicossociais.
Unindo conteúdo técnico e aplicação prática, a iniciativa prepara o mercado para as transformações do cenário corporativo. Os participantes que completam 80% da jornada recebem um Certificado Master e um Livro Discovery exclusivo.
Anote na agenda
No dia 18 de junho, às 11h, o primeiro ciclo de webinares se encerra com a especialista Fernanda Leite abordando o tema “Como criar o termômetro psicossocial da sua empresa”.
Confira nossa programação completa e inscreva-se gratuitamente no Contato Seguro Talks.



