O Anuário Contato Seguro 2026 analisa 285.956 relatos registrados em 2025 e apresenta um benchmark de Canal de Denúncias a partir de métricas de compliance, natureza e indicadores de apuração, mostrando como a escuta corporativa pode apoiar a gestão de riscos e a tomada de decisão.
Para C-Levels, RH e executivos de Compliance, acompanhar um benchmark de Canal de Denúncias ajuda a entender como os relatos estão evoluindo e quais temas exigem mais atenção da organização. O Anuário Contato Seguro 2026 reúne dados de 285.956 relatos recebidos em 2025, envolvendo 3.500 empresas e mais de 3,6 milhões de pessoas.
A análise mostra mudanças no perfil das manifestações, com destaque para o crescimento dos relatos relacionados a assédio moral e para a preferência dos denunciantes por registrar os relatos sem se identificar.
Também revela que uma parcela relevante das manifestações acontecem fora do horário comercial, enquanto os prazos de apuração variam bastante entre segmentos.
Ao longo deste artigo, você vai conhecer os principais indicadores do Anuário 2026 e entender como essas informações podem contribuir para a gestão de riscos corporativos, People Analytics e decisões de Compliance.
O panorama da escuta corporativa e a força dos dados
O Anuário Contato Seguro 2026 reúne informações registradas nos Canais de Denúncias para empresas ao longo de 2025.
A base contempla 3.500 empresas, diferentes portes, segmentos e regiões, além de mais de 3,6 milhões de pessoas entre colaboradores, terceiros, fornecedores, parceiros comerciais e outros públicos com acesso aos canais.
Ao todo, foram analisados 285.956 relatos.
Esse número inclui não apenas denúncias qualificadas, mas também outras manifestações recebidas pelos canais, como dúvidas e sugestões. Por isso, o termo “relatos” representa melhor a amplitude da base analisada.
O valor do benchmark está em transformar os registros dos Canais de Denúncias em referências para a gestão de riscos corporativos. Ao comparar os dados de 2024 e 2025, a organização consegue identificar mudanças no perfil dos relatos, reconhecer temas que exigem investigação e avaliar se os processos de recebimento e apuração acompanham as necessidades da operação.
O Anuário Contato Seguro 2026 analisa indicadores que ajudam a orientar decisões em diferentes frentes:
- Cultura de integridade: evolução do volume de relatos e preferência pelo anonimato.
- Riscos prioritários: natureza das manifestações e possíveis recorrências.
- Acessibilidade do Canal: registros realizados dentro e fora do horário comercial.
- Eficiência operacional: tempo de conclusão das apurações e diferenças entre segmentos e portes de empresa.
- Capacidade de análise: oportunidades de aplicar tecnologia para organizar informações e apoiar a gestão dos relatos.
Essas referências ajudam RH, Compliance, Jurídico e liderança a comparar os próprios indicadores, revisar prioridades e direcionar análises para situações que podem representar riscos jurídicos, financeiros ou reputacionais.
Quando avaliados em conjunto com outras informações da organização, os dados também podem contribuir para identificar sinais de possíveis passivos ocultos e orientar a investigação de irregularidades.

Anonimato e disponibilidade: a estrutura da confiança
O anonimato continua sendo a principal forma de registro observada na base do Anuário 2026.
Em 2025, 76,6% dos relatos foram registrados de forma anônima. A proporção permaneceu próxima à observada no ano anterior, mesmo com o crescimento de 38,1% no volume total de manifestações.
O dado mostra uma preferência consistente pela preservação da identidade no momento do registro. Isso não significa, porém, que o anonimato impeça a interação com a organização.
Por meio de um protocolo, a pessoa pode acompanhar o andamento do relato, responder a solicitações de informação e receber retornos sem revelar sua identidade.
Esse aspecto ajuda a entender por que a estrutura do Canal precisa ser pensada para transmitir confiança desde o primeiro contato.
A possibilidade de anonimato é uma parte desse processo, mas também importa a confidencialidade, a proteção das informações, a clareza sobre o tratamento do relato e a independência de quem recebe a manifestação.
Segundo Marcelo Borowski Gomes, especialista em Compliance, “a principal função do Canal de Denúncias é dar voz ao colaborador que, de outra forma, não teria coragem de se manifestar.”
Para que essa escuta contribua para uma cultura de segurança, as pessoas precisam confiar que os relatos serão tratados com seriedade e que as informações terão acesso restrito. Esse cuidado protege quem se manifesta e ajuda a organização a identificar situações que exigem atenção.
A possibilidade de relatar uma situação sem se identificar pode ajudar quem teme exposição ou retaliação a buscar apoio. Para isso, o Canal precisa ter regras claras de confidencialidade, acesso restrito às informações e procedimentos definidos para o tratamento das manifestações.
Quando as pessoas percebem que existe um meio protegido para comunicar problemas, a organização cria condições para identificar situações que afetam o ambiente de trabalho e encaminhá-las para avaliação.
A disponibilidade também faz diferença
Outro indicador chama atenção quando o horário de registro é analisado.
Em 2025, 33,4% dos relatos foram registrados fora do horário comercial. Em números absolutos, isso representa aproximadamente 95,5 mil manifestações.
A participação proporcional foi ligeiramente menor que em 2024, quando os registros fora do expediente representaram 34,4%. Ainda assim, o crescimento do volume total fez com que o número absoluto de manifestações nesse período aumentasse em aproximadamente 24,3 mil registros.
O dado reforça uma questão operacional: a necessidade de manifestação não acompanha necessariamente o horário administrativo da organização.
Para uma estrutura de escuta corporativa, isso significa considerar canais acessíveis em diferentes horários e públicos, especialmente em empresas com operação por turnos, equipes distribuídas ou atividades que funcionam continuamente.
Tipologia dos relatos: o alerta do assédio moral
Entre os indicadores do Anuário 2026, a mudança na natureza dos relatos merece atenção especial.
Os registros relacionados a assédio moral passaram de 41,8% em 2024 para 54,1% em 2025, uma diferença de 12,3 pontos percentuais. Na base analisada, a categoria passou a representar mais da metade dos relatos.
Outras categorias apresentaram movimentos diferentes no mesmo período. A Violação de Controles caiu de 10,8% para 8,9%, enquanto o Favorecimento de Fornecedores ou Terceiros passou de 6,3% para 4,3%. Já Roubos, Furtos e Desvios permaneceu em 4,8%.
| Natureza do relato | 2024 | 2025 | Variação |
| Assédio Moral | 41,8% | 54,1% | +12,3 p.p. |
| Violação de Controles | 10,8% | 8,9% | -1,9 p.p. |
| Favorecimento de Fornecedores ou Terceiros | 6,3% | 4,3% | -2,0 p.p. |
| Roubos, Furtos e Desvios | 4,8% | 4,8% | Estável |
Esses percentuais representam a composição dos relatos analisados pela Contato Seguro e não permitem concluir, isoladamente, que o assédio moral tenha a mesma proporção em todas as organizações.
O que o dado oferece é outra informação relevante para a gestão: as relações de trabalho ocupam uma posição central entre os temas registrados nos Canais analisados em 2025.
Para RH e Compliance, acompanhar essa movimentação permite investigar quais comportamentos, práticas de gestão ou condições de trabalho podem estar relacionados às manifestações recebidas.
Também ajuda a aproximar a escuta de outros indicadores, como turnover, absenteísmo, afastamentos e pesquisas de clima. O objetivo não é atribuir automaticamente uma causa a cada indicador, mas reunir informações que permitam uma análise mais completa do ambiente organizacional.

Tempo de resolução e eficiência na apuração
Receber uma manifestação é apenas o início do processo. Depois do registro, existe uma sequência de etapas que pode envolver triagem, análise, solicitação de informações, investigação, tomada de decisão e encaminhamentos.
Por isso, o tempo de conclusão é um indicador importante para acompanhar a operação do Canal.
Os dados de 2025 mostram diferenças relevantes no tempo de conclusão das apurações entre os segmentos analisados:
- Serviços Diversos: 69,0% dos casos foram concluídos em menos de um mês.
- Eletrônicos: 64,8% foram concluídos em menos de um mês.
- Química e Petroquímica: 56,2% foram concluídos em menos de um mês.
- Serviços Financeiros: 55,7% foram concluídos em menos de um mês.
Em alguns setores, uma parcela expressiva das apurações levou mais de três meses:
- Seguros: 51,9% dos casos ficaram nessa faixa.
- Manufatura: 42,5%.
- Navegação: 39,0%.
Essas diferenças precisam ser lidas considerando a natureza e a complexidade de cada investigação. Um caso que envolve diferentes áreas, documentos, testemunhas ou terceiros pode exigir mais tempo que uma ocorrência com escopo mais delimitado.
Acompanhar os prazos ajuda a identificar gargalos e avaliar se há recursos, procedimentos e responsáveis suficientes para conduzir as apurações.
Agilidade e profundidade precisam caminhar juntas
O Anuário também mostra que o desafio não está apenas em reduzir prazos.
Em 2025, houve aumento da proporção de apurações superior a três meses em todos os grupos de porte analisados. Entre empresas de 1 a 50 colaboradores, por exemplo, essa faixa passou de 17,8% para 31,1%. Nas organizações com mais de 10 mil colaboradores, passou de 15,3% para 24,2%.
O indicador reforça a necessidade de processos definidos, responsabilidades claras e recursos adequados para a investigação.
Uma apuração rápida, quando feita sem profundidade, pode comprometer a qualidade das conclusões. Da mesma forma, processos excessivamente longos podem prolongar uma situação de risco sem encaminhamento.
A gestão precisa encontrar equilíbrio entre tempo de resposta, qualidade da análise e complexidade de cada caso.
Cultura AI First: tecnologia no Compliance corporativo
O crescimento do volume de informações também aumenta a necessidade de organizar os dados recebidos pelos Canais.
A inteligência artificial nos Canais de Escuta pode apoiar esse trabalho ao automatizar tarefas operacionais, organizar informações e acelerar determinadas etapas do fluxo. Na Contato Seguro, essa aplicação faz parte de uma cultura AI First, com recursos desenvolvidos para diferentes momentos da gestão dos relatos.
O objetivo não é substituir a análise humana. A tecnologia pode assumir atividades repetitivas e apoiar a organização das informações para que especialistas concentrem seu trabalho na interpretação de contextos, no acolhimento e nas decisões que dependem de análise humana.
Entre os recursos utilizados pela Contato Seguro estão:
- WhatsApp com IA Generativa: facilita uma interação mais fluida para a coleta das informações iniciais do relato.
- ARI, Assistente de Relato Inteligente: orienta o registro e ajuda a reunir informações relevantes desde o primeiro contato.
- IA de Matriz de Risco: apoia a categorização da criticidade das manifestações.
- IA de Medidas: relaciona a ocorrência às diretrizes do Código de Conduta e sugere possibilidades de encaminhamento.
- Comitê IA: organiza informações de casos complexos e apoia o trabalho do comitê responsável pela análise.
A tecnologia, nesse modelo, está integrada ao processo de gestão do Canal. Ela não elimina a necessidade de critérios, responsabilidades e supervisão humana.
O ganho está em combinar dados, tecnologia e especialistas para tornar o fluxo mais organizado e permitir que a equipe dedique mais tempo aos casos que exigem interpretação e investigação.
O que o benchmark revela para a gestão de riscos?
O valor do benchmark está em transformar os registros dos Canais de Denúncias em referências para a gestão de riscos corporativos.
Ao comparar os dados de 2024 e 2025, a organização consegue identificar mudanças no perfil dos relatos, reconhecer temas que exigem investigação e avaliar se os processos de recebimento e apuração acompanham as necessidades da operação.
Segundo Marcelo Borowski Gomes, especialista em Compliance, o Canal deve ser compreendido como uma ferramenta de gestão: “o Canal de Denúncias é uma ferramenta de gestão, não uma ferramenta de punição. Ele serve para que a empresa possa corrigir desvios de conduta e proteger seu patrimônio e sua reputação”.
O dado sobre assédio moral, por exemplo, pode levar o RH a aprofundar a análise sobre liderança, relações entre equipes, organização do trabalho e recorrência de manifestações.
Já os indicadores de anonimato podem contribuir para avaliar a percepção de segurança no uso do Canal. Os dados de horário ajudam a dimensionar a necessidade de disponibilidade contínua. Os prazos de conclusão permitem identificar diferenças entre áreas, segmentos e processos de apuração.
A leitura integrada pode ser organizada da seguinte forma:
| Indicador | O que observar | Possível aplicação na gestão |
| Anonimato | Preferência por relatos anônimos | Avaliar confiança e percepção de segurança no Canal |
| Horário dos relatos | Registros dentro e fora do expediente | Dimensionar disponibilidade e acessibilidade |
| Tipologia | Temas mais recorrentes | Identificar áreas e comportamentos que merecem investigação |
| Tempo de conclusão | Distribuição dos prazos | Encontrar gargalos e avaliar a estrutura de apuração |
| Segmento e porte | Diferenças entre grupos | Comparar padrões e compreender particularidades da operação |
| Recorrência | Repetição de temas ou situações | Apoiar ações preventivas e gestão de riscos |
Esses dados também podem ser cruzados com indicadores de People Analytics, desde que a organização observe a finalidade do tratamento, os controles de acesso e as regras aplicáveis à proteção de dados.
A análise não deve resultar em classificações automáticas de pessoas ou equipes. O papel dos indicadores é oferecer contexto para que a liderança investigue situações, formule hipóteses e tome decisões com mais informação.
Relatos como sinais de possíveis passivos ocultos
Os relatos também podem ajudar a identificar sinais de passivos ocultos, como situações de assédio, fraudes, conflitos de interesse ou descumprimento de controles que ainda não foram reconhecidos formalmente pela organização.
Quando analisadas com critério e encaminhadas para apuração, essas informações podem revelar riscos jurídicos, financeiros e reputacionais que exigem atenção antes que produzam impactos maiores.
O benchmark oferece referências para orientar essa análise, mas a confirmação de cada risco depende da avaliação dos casos e das evidências disponíveis.
O próximo passo: estruturar um processo confiável de escuta e apuração
Os dados do benchmark mostram que a maturidade de um Canal de Denúncias não está apenas no volume de relatos, mas também na forma como cada manifestação é tratada.
Por isso, a organização precisa estruturar um fluxo com recebimento, triagem, tratamento, investigação e encaminhamentos, com responsabilidades definidas em cada etapa.
A Lei nº 14.457/2022, por exemplo, prevê para empresas com CIPA procedimentos para recebimento e acompanhamento de denúncias, apuração dos fatos e aplicação de sanções, quando cabível, com preservação do anonimato da pessoa denunciante.
Segundo Heloisa Moraes, Head de Gestão e Gente da Contato Seguro, “um Canal de Denúncias bem estruturado ajuda a organização a perceber sinais que, muitas vezes, não aparecem nos indicadores tradicionais e a entender onde existem situações que precisam de atenção antes que se tornem problemas maiores.”
Um Canal terceirizado e independente pode contribuir para esse processo ao separar o recebimento e a triagem da hierarquia interna, além de oferecer uma operação especializada para organizar registros, controlar acessos e acompanhar o histórico das manifestações. A empresa, por sua vez, mantém a responsabilidade pela investigação, pelas decisões e pelos encaminhamentos.
O fluxo precisa ser claro, desde o recebimento do relato e a triagem até o encaminhamento, a investigação, a decisão e o acompanhamento das medidas adotadas.
A proteção dos dados também faz parte da estrutura de um Canal de Denúncias. A Lei nº 13.709/2018 (LGPD) estabelece medidas técnicas e administrativas para proteger dados pessoais contra acessos não autorizados e situações de tratamento inadequado.
Na Contato Seguro, a operação terceirizada e independente atua no recebimento, na triagem e na gestão das manifestações. A organização mantém a responsabilidade pela apuração e pelas decisões, enquanto tecnologia e equipe especializada apoiam o fluxo de cada caso.
Conclusão: dados para uma gestão de riscos mais preparada
O Anuário Contato Seguro 2026 reúne dados de relatos registrados em 2025 que ajudam a identificar tendências nas relações de trabalho, nos controles internos e nos processos de apuração.
Indicadores como a participação do assédio moral, o volume de manifestações anônimas e os prazos de conclusão oferecem referências para avaliar a gestão do Canal e direcionar análises internas.
Quando os relatos são tratados de forma estruturada, eles também podem revelar sinais de passivos ocultos, permitindo que a organização investigue possíveis irregularidades e avalie medidas corretivas antes que os riscos se ampliem.
O benchmark não substitui a análise de cada caso, mas ajuda a formular perguntas mais precisas sobre a exposição da empresa.
Para conhecer os recortes setoriais e todos os indicadores do Anuário Contato Seguro 2026, baixe o estudo completo e veja como esses dados podem apoiar decisões de RH, Compliance e liderança.
Converse com um especialista da Contato Seguro para estruturar um Canal de Denúncias terceirizado e independente, com um processo organizado de recebimento, triagem, investigação e encaminhamento das manifestações.
FAQ
1. O que é um benchmark de Canal de Denúncias?
É uma referência de indicadores utilizada para comparar dados de relatos, tipologias, anonimato, prazos de conclusão e outros aspectos da operação de Canais de Denúncias.
2. Quantos relatos foram analisados no Anuário Contato Seguro 2026?
O estudo analisou 285.956 relatos registrados ao longo de 2025 em Canais de Denúncias utilizados por 3.500 empresas.
3. Qual foi a principal natureza dos relatos em 2025?
Assédio moral foi a categoria mais representativa na base analisada, correspondendo a 54,1% dos relatos, contra 41,8% em 2024.
4. Qual foi o percentual de relatos anônimos em 2025?
Os relatos anônimos representaram 76,6% das manifestações analisadas pelo Anuário em 2025.
5. Por que acompanhar o horário em que os relatos são registrados?
O indicador ajuda a entender a necessidade de disponibilidade do Canal. Em 2025, 33,4% dos relatos da base foram registrados fora do horário comercial.
6. Como o tempo de conclusão ajuda na gestão do Canal?
O acompanhamento dos prazos permite identificar gargalos, comparar características entre segmentos e avaliar se o processo de apuração está adequado à complexidade dos casos.
7. O Anuário representa todo o mercado brasileiro?
Não. Os indicadores refletem a base de relatos recebidos pelos Canais de Denúncias da Contato Seguro ao longo de 2025. Por isso, os dados funcionam como referência para análise de tendências e comparação de indicadores, mas não devem ser interpretados como uma amostra censitária de todas as empresas brasileiras.





