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Ética: o alicerce básico de uma cultura organizacional humanizada

Tempo de Leitura: 5 Minutos

A humanidade está vivenciando mudanças exponenciais, com disrupturas tecnológicas e até a própria pandemia, que nos obrigou a revermos muitos paradigmas. 

Isso acabou fortalecendo o entendimento de que a ética deve deixar de uma vez por todas de ser um conceito meramente filosófico. Deve passar, assim, a ser um compromisso prático do nosso dia a dia de trabalho.

O termo “ética” ganha cada vez mais relevância. Porque estamos precisando desconstruir crenças arraigadas por muito tempo na nossa sociedade ― e que não tem mais como direcionar as pessoas para um bem comum. Mas também porque temos que nos comprometer com um mundo que requer de nós mais empatia e compaixão

Para mim, o conceito de ética organizacional abrange diversos aspectos, como os valores morais e éticos de uma empresa ou organização dentro do seu contexto de atuação. Além disso, também abarca seu comportamento diante de clientes internos e externos, concorrentes, parceiros de negócios e a sociedade. 

Quando falamos de uma cultura organizacional, precisamos ter em mente que a cultura de uma empresa é, na sua essência, o jeito que fazemos as coisas acontecerem em nosso ambiente de trabalho. 

Este jeito necessariamente precisa ser ético e transparente, sob pena de macular ou até mesmo destruir a reputação de uma organização, independentemente de ser da iniciativa privada ou pública

A cultura organizacional no dia a dia das empresas

Percebo através do meu trabalho de palestrante e educadora corporativa que é a cultura que atrai talentos ou afasta-os da empresa. A cultura é o comportamento que é estimulado ou desestimulado dentro de uma comunidade de pessoas

Isso implica dizer que quem lidera equipes têm um dever ainda maior de promover ações que visem alicerçar uma cultura organizacional humanizada, íntegra e ética, com valores e comportamentos claros, que respeite as diferenças e que promova a inclusão e a diversidade.

É fundamental que todos os gestores e gestoras reflitam, trabalhem e se comprometam a favor da criação de um legado positivo e saudável na sua organização, porque sabemos muito bem o quanto aumentou de forma assustadora os índices de depressão, assédio moral e sexual e o burnout na nossa sociedade.

Na verdade, vivemos no Brasil uma crise de saúde mental sem precedentes, e isso é fruto também de ambientes organizacionais doentios, que oportunizam a ocorrência de assédios e violações à ética. 

Está mais do que na hora de cada liderança promover um olhar interno e profundo para ver que tipo de contribuição eles podem fazer para promover e fortalecer uma cultura organizacional que encoraje e desafie. Mas que também fortaleça a saúde física, mental e espiritual dos profissionais, porque a pressão psicológica é inerente aos espaços de alto desempenho. 

No entanto, isso não implica dizer que alguém tenha a licença para assediar uma pessoa que está trabalhando na sua equipe com a desculpa de que vale tudo pelo resultado. A ética e a integridade devem ser elementos inegociáveis no ambiente de trabalho de qualquer empresa. 

Lideranças, mais do que em qualquer outro tempo, precisamos pensar não só no Eu, mas no Nós 

E a primeira pergunta que me ocorre é: estamos, na nossa empresa, incorporando algo positivo à vida das pessoas que compõem a nossa equipe? Porque se a resposta for sim, podem ter a certeza de que estamos trilhando o caminho do bem. 

Mas se houver qualquer dúvida em responder este questionamento, é preciso que haja ações promotoras de mudanças. Porque aí, pequenas atitudes já não são suficientes: se faz necessário uma mudança completa na cultura organizacional. 

Para enfatizar a necessidade de mudança, usarei aqui uma frase da escritora Elisa Lucinda, que diz o seguinte: “Sei que não dá para mudar o começo, mas, se a gente quiser, vai dar para mudar o final”

Aqui, eu ressalto que quem mais pode mudar o processo que levará a um final ético é, sem sombra de dúvidas, quem lidera.

Outra questão relevante e que ganhou ainda mais força com a pandemia é que a cultura organizacional abrange não só as interações presenciais, mas sim qualquer interação virtual, porque elas foram intensificadas ao longo da pandemia

Esta dinâmica cria um conjunto diferente de desafios para nós que lideramos, porque precisamos ser mais explícitos eticamente, isto em face de que os sinais na interação virtual são menos claros.

Quando estamos interagindo cara a cara com alguém, nós observamos a linguagem corporal e até mesmo a mensagem subliminar é mais evidente. 

A gente sente o que querem dizer sem nada ser dito, nós sabemos se estamos nos encaixando na norma, ou se estamos fora de sintonia com a cultura organizacional da empresa onde trabalhamos. 

Por isso, é de suma relevância que a criação da política e dos procedimentos da empresa incluam as leis e regulamentos aplicáveis ao ambiente de trabalho, fortalecendo assim a cultura organizacional. 

O espaço do Canal de Denúncias na ética organizacional

Também se faz necessário o encorajamento dos profissionais para se sentirem seguros em denunciar ou reportar qualquer comportamento irregular ou suspeito, sem terem receio de receberem alguma vingança por parte de quem cometeu a infração, independente de cargo hierárquico. 

As técnicas de comunicação mudaram e quando acontece uma interação virtual, é um pouco mais desafiador, porque precisamos nos manter ainda mais conscientes com as mensagens que fazemos como líderes.

Precisamos atentar com o máximo cuidado sobre como esperamos que as pessoas se comportem e a cultura que queremos construir. 

Conclusão

Líderes, quando nos propomos a trabalhar a favor da construção de uma cultura organizacional alicerçada na ética, não podemos esperar que tudo dê certo só porque indicamos o que se espera da postura profissional de cada integrante das nossas equipes.

Muita capacitação, alinhamento, ajustes finos, acompanhamento e uma educação continuada são necessárias. Assim, teremos certeza de que as pessoas são qualificadas, que têm as habilidades e que têm apoio

Trata-se de uma jornada sem reta de chegada, porque é um processo contínuo de adaptação.

Além disso, se faz necessário a criação de mecanismos de responsabilização daqueles e daquelas que não acolhem as regras estabelecidas e acabam desrespeitando a ética que serve de base na cultura organizacional. 

Em suma, as lideranças são os maiores guardiões da ética no ambiente organizacional e devem trabalhar de forma congruente com aquilo que esperam das suas equipes.

Líderes, o exemplo começa em nós!

Bora melhorar o mundo!


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Jo Lima é Palestrante e Instrutora de Cursos dos temas: Resiliência, Inteligência Emocional, Liderança e Gestão de Equipes e Atendimento aos Clientes. 

Profissional com mais de vinte anos de experiência, atendendo empresas privadas e instituições públicas de todo o Brasil.

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