Descubra o que os auditores costumam avaliar durante a fiscalização da NR-1 e como um Canal de Acolhimento pode apoiar o RH na produção de evidências sobre riscos psicossociais.
O período de adaptação às mudanças da NR-1 terminou em maio de 2026 e a fiscalização passou a exigir mais do que documentos atualizados.
O desafio do RH agora é demonstrar que os riscos psicossociais são monitorados continuamente e que o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) está apoiado em evidências concretas.
Em outras palavras, o RH precisa demonstrar que a empresa identifica fatores de risco, acompanha sua evolução e implementa medidas preventivas continuamente.
Ações isoladas de bem-estar ou registros produzidos apenas quando uma auditoria se aproxima dificilmente demonstram a consistência esperada na gestão dos riscos ocupacionais.
Entenda o que pode acontecer durante uma fiscalização da NR-1, quais evidências costumam ser solicitadas e como o Canal de Acolhimento da Contato Seguro pode apoiar esse processo.
Confira!
O que acontece no descumprimento da NR-1 na prática?
Com a atualização da NR-1, a gestão dos riscos psicossociais passou a integrar o PGR. Durante uma fiscalização, os auditores avaliam se esses riscos foram identificados, monitorados e acompanhados por meio de ações contínuas e evidências documentadas.
Para compreender os prazos, as dinâmicas de visitação dos auditores e os critérios legais exigidos, é fundamental entender como o Ministério do Trabalho fará a fiscalização da NR-1.
Quando o auditor identifica inconsistências entre o PGR e a realidade da organização, a empresa pode ser notificada para realizar adequações dentro de um prazo determinado.
Dependendo das irregularidades encontradas e da gravidade da situação, também podem ocorrer:
- Autos de infração;
- Aplicação de multas administrativas;
- Novas inspeções para verificar a implementação das medidas;
- Encaminhamento do caso para outros órgãos competentes, quando houver indícios de irregularidades mais graves.
Mais do que a penalidade financeira, uma fiscalização evidencia fragilidades na gestão dos riscos ocupacionais, podendo ampliar a exposição da empresa a passivos trabalhistas e questionamentos relacionados à saúde e segurança do trabalho.
Para o RH, esse cenário amplia a conversa com a liderança. A conformidade com a NR-1, conforme as atualizações promovidas pela Portaria MTE nº 1.419/2024, passa a caminhar ao lado de temas como continuidade operacional, passivos trabalhistas e os impactos financeiros associados aos riscos psicossociais.
O impacto silencioso no caixa: FAP/RAT
Os efeitos da gestão inadequada dos riscos psicossociais não se limitam à fiscalização.
Quando afastamentos relacionados ao trabalho aumentam, especialmente em situações que envolvem transtornos mentais reconhecidos como ocupacionais, a empresa pode enfrentar reflexos no Fator Acidentário de Prevenção (FAP).
Esse indicador influencia diretamente a alíquota do Seguro Acidente do Trabalho (RAT), afetando os custos da folha de pagamento.
Para o RH, esse tema também ganha espaço nas conversas com o financeiro. O aumento do FAP/RAT pode elevar custos recorrentes da folha, tornando a prevenção um assunto que interessa não apenas à saúde ocupacional, mas também ao orçamento da empresa.
O fim do “PGR de fachada”: o que o auditor realmente procura?
Ter riscos psicossociais registrados no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) representa apenas uma etapa do processo.
Durante uma auditoria, o foco costuma estar na capacidade da organização de demonstrar que esses riscos são acompanhados continuamente.
Na prática, o auditor pode solicitar evidências como:
| O que está no PGR | O que pode ser solicitado na auditoria |
| Riscos psicossociais identificados | Critérios utilizados para esse mapeamento |
| Plano de ação | Evidências da execução das medidas previstas |
| Acompanhamento dos riscos | Indicadores, registros e histórico de monitoramento |
| Medidas preventivas | Comprovação de ações contínuas e revisão dos riscos |
Quando essas informações não existem ou são produzidas apenas próximo à fiscalização, torna-se mais difícil demonstrar que a gestão dos riscos faz parte da rotina da organização.
Se a sua organização ainda precisa estruturar esses processos básicos antes de avançar para o monitoramento contínuo, recomendamos seguir os 5 passos para preparar a sua empresa para a fiscalização da NR-1.
Canal de Acolhimento: apoio ao RH na produção de evidências
O RH exerce um papel estratégico na gestão dos riscos psicossociais, mas sua responsabilidade está em estruturar políticas, acompanhar indicadores e apoiar ações preventivas.
A avaliação clínica dos colaboradores não faz parte dessa atribuição.
Segundo Heloisa Moraes, Head de Gente e Gestão da Contato Seguro: “o RH não precisa assumir um papel clínico para cuidar dos riscos psicossociais. O mais importante é criar mecanismos que permitam identificar sinais, acompanhar tendências e agir antes que essas situações gerem impactos maiores para as pessoas e para a organização.”
Essa separação de papéis é justamente um dos motivos pelos quais o Canal de Acolhimento da Contato Seguro é conduzido por psicólogos especializados, que realizam escuta qualificada e acolhimento dos colaboradores 24 horas por dia, sete dias por semana.
Além do atendimento individual, a solução gera indicadores consolidados que apoiam o RH na produção das evidências normalmente solicitadas em auditorias relacionadas à NR-1, preservando o sigilo das pessoas atendidas.
Dessa forma, o Canal de Acolhimento ajuda a transformar ações preventivas em registros documentados, dando materialidade às iniciativas previstas no PGR.
Psicólogos especializados fortalecem a produção de evidências
Nem toda solução voltada ao bem-estar produz informações úteis para a gestão dos riscos ocupacionais.
Enquanto plataformas genéricas costumam oferecer suporte amplo ao colaborador, o Canal de Acolhimento da Contato Seguro foi desenvolvido para identificar fatores relacionados ao contexto de trabalho.
A escuta realizada por psicólogos especializados permite reconhecer padrões associados a temas como:
- Sobrecarga de trabalho;
- Conflitos interpessoais;
- Dificuldades de liderança;
- Pressão excessiva;
- Outros fatores psicossociais relevantes para a organização.
Essas informações ajudam a empresa a compreender onde concentrar ações preventivas.
Leia mais: Como implementar Canal de Denúncias na empresa e integrá-lo ao GRO: roteiro de urgência NR-1
O papel do Canal de Denúncias no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO)
A estruturação do PGR faz parte de um escopo maior exigido pela NR-1: o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO).
Dentro desse escopo, as organizações precisam mapear não apenas os fatores ergonômicos e ambientais, mas também as fontes que geram os riscos psicossociais, como o assédio moral, o assédio sexual e outras violências no trabalho.
Muitas vezes, esses riscos nascem de desvios éticos e comportamentos sistêmicos que não são detectados em exames periódicos corporativos ou pesquisas de clima. É neste momento que o Canal de Denúncias terceirizado se torna uma ferramenta indispensável de compliance e saúde ocupacional.
Ao oferecer um ambiente seguro e anônimo para o relato de irregularidades, a empresa consegue identificar a raiz do adoecimento.
Enquanto o Canal de Acolhimento oferece suporte psicológico, o Canal de Denúncias permite que o Comitê de Ética investigue, trate e encerre as violações de conduta.
A integração entre essas duas plataformas cria processos rastreáveis e assegura que a organização possua as evidências necessárias para comprovar seu compromisso com a gestão de riscos e a conformidade com a NR-1.
Relatórios gerenciais fortalecem o acompanhamento do PGR
Além dos atendimentos, o Canal de Acolhimento e o Canal de Denúncias disponibilizam relatórios gerenciais com indicadores consolidados, sem expor dados pessoais dos colaboradores.
Esses painéis permitem acompanhar tendências, identificar áreas com maior incidência de fatores de risco e registrar a evolução das ações implementadas pela empresa.
Para o RH, isso representa uma base técnica que complementa as evidências produzidas durante a gestão dos riscos psicossociais prevista na NR-1.
Conclusão
A fiscalização da NR-1 ampliou a necessidade de demonstrar que a gestão dos riscos psicossociais e éticos acontece de forma contínua e baseada em evidências.
Para a gestão, isso significa contar com processos capazes de documentar ações, acompanhar indicadores e fornecer informações consistentes para o GRO e para o PGR.
Com o Canal de Acolhimento e o Canal de Denúncias atuando lado a lado na estratégia de gestão de riscos ocupacionais, a empresa amplia sua capacidade de monitorar tendências, coibir desvios e reunir evidências que fortalecem a proteção institucional durante auditorias.
Se uma fiscalização do Ministério do Trabalho acontecesse hoje, sua empresa conseguiria apresentar evidências contínuas do monitoramento dos riscos psicossociais previstos no PGR?
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FAQ
1. Como funciona a fiscalização da NR-1 na prática?
Os auditores verificam se o PGR contempla os riscos existentes na organização e se a empresa consegue demonstrar ações contínuas de identificação, monitoramento e mitigação desses riscos por meio de registros e evidências.
2. Qual é a multa por descumprimento da NR-1?
O valor varia conforme a infração identificada e o porte da empresa, seguindo os parâmetros de cálculo da NR-28. Além das multas administrativas, a organização pode receber notificações para adequação e estar sujeita a novas fiscalizações.
3. Que evidências o Ministério do Trabalho pode solicitar durante uma auditoria?
Entre as evidências estão documentos do PGR, registros de monitoramento dos riscos psicossociais e ergonômicos, histórico de relatos apurados em um Canal de Denúncias, indicadores gerenciais e a comprovação das ações implementadas para mitigação dos riscos.




