11 tendências para a segurança do trabalho após a NR-1

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Da gestão de riscos psicossociais ao uso de dados e tecnologia: veja os movimentos que devem transformar a Segurança e Saúde no Trabalho nos próximos anos.

A nova redação do capítulo 1.5 da NR-1 entrou em vigor em 26 de maio de 2026 e passou a incluir expressamente os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). A mudança amplia o olhar da Segurança e Saúde no Trabalho (SST) para aspectos da organização do trabalho e reforça a necessidade de identificar, avaliar e prevenir esses fatores.

A partir dessa mudança, algumas transformações que já vinham acontecendo na SST ganham espaço: gestão baseada em dados, prevenção contínua, integração entre áreas, digitalização e maior atenção à forma como o trabalho é organizado. 

Para entender o que pode mudar nos próximos anos, vale olhar para 11 tendências que já aparecem nessa nova fase da segurança do trabalho.

Boa leitura!

O que muda na Segurança do Trabalho depois da NR-1?

A principal mudança está na ampliação do gerenciamento de riscos ocupacionais para incluir expressamente os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho. Isso significa olhar para elementos da organização do trabalho, das relações profissionais e das condições em que as atividades são realizadas.

A nova redação do capítulo 1.5 da NR-1 está em vigor desde 26 de maio de 2026. A obrigação de gerenciar os fatores de risco psicossociais permanece vigente.

Em junho, o STF suspendeu por 90 dias multas e outras sanções relacionadas aos dispositivos questionados, e o Plenário referendou a decisão em agosto.

A norma não exige que a empresa faça um diagnóstico clínico de saúde mental dos trabalhadores. O foco está nos fatores relacionados ao trabalho e na adoção de medidas de prevenção quando esses riscos forem identificados.

O que a organização fazComo se enquadra
Gerenciar riscos ocupacionaisObrigação da NR-1
Incluir fatores psicossociais relacionados ao trabalhoPrevisto expressamente na norma
Documentar o gerenciamentoParte do GRO e do PGR
Usar IA, dashboards ou People AnalyticsBoa prática ou tendência, não obrigação da NR-1
Ter Canal de AcolhimentoSolução de apoio, não obrigação da NR-1

O Ministério do Trabalho e Emprego publicou, em 2026, o Manual de Interpretação e Aplicação do capítulo 1.5 da NR-1 e outros materiais para orientar a implementação do GRO e do PGR. Esses documentos têm caráter orientativo e não substituem o texto da norma.

Veja 11 tendências para a segurança do trabalho após a NR-1

A nova NR-1 não muda apenas a forma de olhar para os riscos psicossociais. Ela reforça uma transformação que já vinha acontecendo na Segurança e Saúde no Trabalho: prevenção contínua, uso de dados, escuta das equipes e maior integração entre as áreas.

A partir desse movimento, algumas tendências devem ganhar espaço na gestão de riscos ocupacionais nos próximos anos. 

Tendência 1. Riscos psicossociais entram de vez na agenda da SST

A primeira tendência é também a mais diretamente relacionada à atualização da NR-1. Fatores psicossociais relacionados ao trabalho entram expressamente no gerenciamento de riscos ocupacionais.

O foco está em situações como pressão excessiva, sobrecarga, falta de autonomia, conflitos, assédio e problemas na organização do trabalho.

A análise deve considerar como essas condições podem afetar a saúde e quais medidas de prevenção são necessárias.

Essa mudança exige uma ampliação do olhar sobre a Segurança e Saúde no Trabalho, que precisa considerar não apenas as condições do ambiente físico, mas também a forma como o trabalho é organizado e realizado no dia a dia.

Tendência 2. Segurança mais preventiva e menos reativa

Outra tendência é fortalecer a prevenção antes que um problema se transforme em acidente, afastamento do trabalho ou conflito mais grave.

Isso envolve acompanhar os riscos ao longo do tempo, revisar medidas quando a organização do trabalho muda e verificar se as ações adotadas estão funcionando.

A própria lógica do capítulo 1.5 reforça esse caráter preventivo ao estabelecer o gerenciamento dos riscos ocupacionais como instrumento para prevenção.

Tendência 3. Indicadores preventivos ganham espaço

A SST tende a trabalhar com mais informações antes que um evento crítico aconteça.

Registros de incidentes, afastamentos, absenteísmo, queixas recorrentes e percepções dos trabalhadores podem ajudar a identificar pontos de atenção. Esses dados não substituem a avaliação técnica, mas ampliam as informações disponíveis para a gestão.

O cuidado está em interpretar os indicadores junto às características do trabalho, sem transformar um número isolado em diagnóstico.

Tendência 4. SST orientada por dados

A gestão baseada em dados deve ganhar espaço à medida que as empresas precisam acompanhar riscos de forma contínua.

Dashboards e sistemas integrados podem facilitar a visualização de ocorrências, recorrências, áreas mais expostas e evolução das medidas adotadas.

O ganho está em tirar informações de planilhas e registros dispersos e transformá-las em elementos que apoiem decisões. A tecnologia, porém, não substitui a análise dos profissionais responsáveis pelo gerenciamento de riscos.

Tendência 5. Inteligência Artificial como apoio

A Inteligência Artificial também aparece entre as tendências de SST, mas é importante separar a tendência de obrigação.

A NR-1 não exige IA, People Analytics ou qualquer tecnologia específica. Essas ferramentas podem ser usadas para organizar grandes volumes de informação, identificar padrões e apoiar a triagem de dados.

A decisão sobre o risco, as medidas de prevenção e a condução dos casos continua dependendo de avaliação humana e responsabilidade técnica.

Tendência 6. Integração entre SST, RH, liderança e Compliance

Os riscos psicossociais atravessam diferentes áreas da organização. Por isso, a tendência é que SST, RH, liderança e Compliance trabalhem de forma menos isolada.

Cada área contribui de uma maneira: SST conduz o gerenciamento dos riscos ocupacionais; RH acompanha aspectos relacionados à gestão de pessoas; as lideranças interferem diretamente na organização do trabalho; e Compliance pode receber e tratar manifestações sobre condutas inadequadas.

Essa integração ajuda a conectar informações que, quando ficam separadas, podem dificultar a identificação de recorrências.

Tendência 7. Escuta dos trabalhadores como fonte de prevenção

Questionários, entrevistas, reuniões e outros mecanismos de escuta podem ajudar a compreender como o trabalho é percebido por quem o realiza.

Essa percepção deixa de ser útil apenas para pesquisas de clima e pode contribuir para a identificação de fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho.

É importante, porém, que a escuta faça parte de um processo estruturado. Ouvir as pessoas sem analisar os riscos identificados ou definir medidas de prevenção não resolve o problema. E é nesse ponto que entram os canais de escuta.

Tendência 8. Canais de escuta ganham relevância

Os canais podem ocupar funções diferentes dentro dessa estrutura.

O Canal de Acolhimento oferece um espaço de escuta e suporte para situações relacionadas a sofrimento emocional, conflitos e outras dificuldades. Na Contato Seguro, esse atendimento é realizado 24 horas por dia por psicólogos-ouvidores.

Já o Canal de Denúncias corporativo é direcionado ao recebimento e tratamento de manifestações sobre possíveis irregularidades, assédio, violência, discriminação e outras violações de normas e políticas internas.

Nenhum dos dois substitui o GRO, o PGR ou a avaliação técnica dos riscos. Eles podem complementar essa estrutura ao trazer informações que nem sempre aparecem em avaliações formais.

Tendência 9. Liderança como parte da prevenção

A forma como a liderança organiza metas, distribui tarefas, define prioridades e conduz conflitos interfere diretamente nas condições de trabalho.

Por isso, a prevenção de riscos psicossociais não depende apenas de políticas escritas. Ela precisa aparecer também nas decisões cotidianas dos gestores.

Treinamentos ajudam, mas o acompanhamento precisa considerar o que acontece depois: como as metas são definidas, como a equipe recebe suporte e como situações de conflito são tratadas.

Tendência 10. SST mais conectada à estratégia empresarial

A segurança do trabalho tende a ocupar mais espaço nas decisões relacionadas à gestão de pessoas, continuidade operacional e riscos jurídicos.

Isso não significa transformar a SST em uma área financeira, mas sim reconhecer que acidentes, afastamentos, conflitos e problemas recorrentes de organização do trabalho podem afetar diferentes partes da operação.

Com informações mais estruturadas, a liderança consegue relacionar os riscos identificados às medidas necessárias e acompanhar a evolução dessas ações.

Tendência 11. Governança contínua dos riscos

Uma das principais tendências é tratar o gerenciamento de riscos como um processo contínuo, e não como um documento produzido e arquivado.

O Manual de Interpretação e Aplicação do capítulo 1.5 publicado pelo MTE reforça a necessidade de interpretar e aplicar o gerenciamento de riscos considerando as características das atividades e as medidas de prevenção adotadas.

Isso exige revisar informações quando houver mudanças na organização do trabalho, acompanhar a eficácia das medidas e manter registros que permitam compreender o histórico das ações.

O que essa mudança representa para as empresas?

A atualização da NR-1 aproxima a Segurança e Saúde no Trabalho de temas que antes costumavam ficar distribuídos entre diferentes áreas.

Organização do trabalho, relações profissionais, liderança, escuta, dados e prevenção começam a fazer parte de uma mesma discussão sobre riscos ocupacionais.

Para acompanhar esse movimento, a empresa precisa combinar diferentes recursos:

  • Gestão técnica dos riscos: identificação, avaliação, prevenção e acompanhamento.
  • Participação dos trabalhadores: informações sobre como o trabalho é realizado e percebido.
  • Integração entre áreas: conexão entre SST, RH, liderança e Compliance.
  • Dados e tecnologia: apoio ao acompanhamento de indicadores e recorrências.
  • Canais estruturados: meios específicos para acolhimento e recebimento de denúncias.
  • Governança: definição de responsabilidades, registros e acompanhamento das medidas.

A tecnologia pode facilitar esse trabalho, mas não substitui processos bem definidos. O mesmo vale para pesquisas, treinamentos e canais de escuta: cada recurso precisa estar conectado à gestão dos riscos e às medidas adotadas pela organização.

O papel estratégico do RH na gestão de riscos

Com a NR-1 atualizada, o RH deixa de ser apenas uma área de apoio e passa a ter um papel mais direto na gestão dos riscos psicossociais. É o RH quem percebe os sinais de sobrecarga e conflitos que não aparecem em checklists tradicionais.

“No cenário pós-NR-1, a gestão de riscos deixou de ser uma estimativa para se tornar uma ciência de dados. Não basta mais o RH intuir que o clima está pesado, Compliance precisa de evidências documentais de que os riscos psicossociais estão sendo mapeados e mitigados de forma técnica e imparcial.” — Heloísa Moraes, Head de Gente e Gestão da Contato Seguro.

Quando esse olhar é organizado e conectado ao PGR, ganha força. Passa a ser possível transformar percepções em dados, estruturar planos de ação e acompanhar a evolução dos riscos de forma contínua.

Esse movimento também aproxima áreas. Segurança do trabalho, compliance e gestão de pessoas deixam de atuar de forma isolada e passam a trabalhar de forma integrada, com um objetivo comum: reduzir riscos e promover um ambiente mais saudável e sustentável.

Como a Contato Seguro apoia a organização na realidade pós-NR-1

O “day after” da NR-1 exige ferramentas que retirem a subjetividade na hora de montar o PGR. O Canal de Denúncias, por exemplo, não é apenas um item da Lei 14.457, mas a principal ferramenta de coleta de dados para o inventário de riscos da NR-1. Sem ele, seu PGR fica incompleto e vulnerável a auditorias.

O Canal de Denúncias, disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana, tem foco em compliance e apuração. Ele é voltado para o registro e investigação de condutas inadequadas, como assédio e outras violações éticas. Garante confidencialidade, anonimato e um processo estruturado de investigação. 

Já o Canal de Acolhimento atua em outra frente. Também disponível 24/7, ele é uma ferramenta voltada para escuta ativa e suporte emocional imediato, funcionando como um ponto de apoio para pessoas que estão lidando com situações de estresse, ansiedade, conflitos ou sobrecarga no trabalho.

Os atendimentos do Canal de Acolhimento são realizados por psicólogos-ouvidores, preparados para oferecer acolhimento qualificado, com técnica e empatia, sempre respeitando o limite de uma escuta pontual — sem substituir um processo terapêutico.

Para facilitar a gestão e a mitigação de passivos, veja como os produtos se complementam:

FuncionalidadeCanal de DenúnciasCanal de Acolhimento
Papel na NR-1Identificação de Riscos: Principal fonte de dados para o Inventário de Riscos do PGR.Mitigação de Riscos: Prova documental de suporte psicológico e controle de danos.
Foco JurídicoMitigação de Passivos: Gera provas de que a empresa agiu contra desvios e assédios.Redução de Nexo Causal: Demonstra cuidado ativo, dificultando indenizações por dano moral.
Foco no RHInteligência de Dados: Transforma relatos anônimos em indicadores reais de risco.Gestão de Clima: Atua preventivamente para reduzir absenteísmo e casos de burnout.
DiferencialAnonimato técnico, atendimento 24/7 e processo estruturado de investigação ética.Anonimato técnico, escuta ativa 24/7 com psicólogos-ouvidores especializados.

Na prática, o Canal de Denúncias atua na identificação e correção, fornecendo a base para o inventário de riscos. Já o Canal de Acolhimento foca na prevenção e cuidado, servindo como a evidência definitiva de que a empresa mitiga os riscos psicossociais de forma humana e técnica.

Ferramentas para gestão de riscos 

O “day after” da NR-1 exige ferramentas que retirem a subjetividade na hora de montar o PGR e entreguem evidência documental incontestável.

Para o Jurídico e o Compliance, o valor real está na capacidade de mitigar passivos através de dados auditáveis. Quando a empresa possui um Canal de Acolhimento e um Canal de Denúncias, ela deixa de trabalhar com suposições e passa a ter registros temporais de que identificou, tratou e monitorou cada risco psicossocial. Isso é fundamental para reduzir o nexo causal em ações trabalhistas.

Para o RH, a tecnologia surge como a maior aliada para eliminar a subjetividade. O Canal de Denúncias, por exemplo, não é apenas uma exigência da Lei 14.457; ele é a principal ferramenta de coleta de dados para o inventário de riscos da NR-1. Sem o fluxo de dados que o Canal gera, o seu PGR fica incompleto, puramente teórico e vulnerável à fiscalização do MTE.

Com as informações geradas por esses canais, áreas como RH, lideranças e segurança do trabalho conseguem atuar de forma estratégica em quatro frentes:

  • Identificação técnica de riscos: Dados concretos que alimentam o inventário do PGR de forma automática.
  • Mitigação de passivos: Provas documentais de que a empresa ofereceu suporte ativo (acolhimento) antes que o risco se tornasse um afastamento.
  • Promoção da saúde mental baseada em dados: Dashboards que mostram exatamente em qual setor o risco psicossocial é maior, permitindo treinamentos cirúrgicos.
  • Gestão ativa da NR-1: Conformidade total com a NR-1 através de um ciclo fechado entre identificação, acolhimento e correção.

No fim, a lógica é clara: enquanto o Canal de Denúncias atua na coleta da prova e correção, o Canal de Acolhimento atua na mitigação do dano e prevenção. No contexto da NR-1, essa combinação é o que diferencia um papel assinado de uma gestão de segurança do trabalho de alto nível.

Conclusão

A entrada da nova NR-1 marca uma mudança de perspectiva para a Segurança e Saúde no Trabalho. A gestão de riscos tende a ser cada vez menos baseada em ações isoladas e mais integrada a dados, processos, liderança e participação dos trabalhadores.

Para as empresas, o desafio dos próximos anos será transformar o gerenciamento de riscos em um processo contínuo, capaz de acompanhar as mudanças na organização do trabalho e identificar situações que podem afetar a saúde e o bem-estar das equipes.

Nesse processo, o Canal de Acolhimento pode contribuir como um espaço estruturado de escuta, permitindo que situações relacionadas à saúde mental, sobrecarga, conflitos e outras dificuldades sejam acolhidas e acompanhadas por profissionais especializados.

As informações obtidas a partir desses atendimentos podem ajudar a empresa a compreender melhor as demandas das equipes e orientar ações de prevenção.

Quer entender como os canais de escuta podem apoiar essa estratégia? Conheça o Canal de Acolhimento da Contato Seguro para oferecer escuta especializada e apoiar a identificação e o acompanhamento de situações que podem afetar a saúde mental no trabalho.

FAQ

1. O que muda na NR-1 em 2026?
A nova redação do capítulo 1.5 passou a incluir expressamente os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais.

2. A NR-1 exige uma avaliação clínica de saúde mental?
Não. O foco está nos fatores psicossociais relacionados ao trabalho, como aspectos da organização e das condições em que as atividades são realizadas.

3. A NR-1 exige o uso de Inteligência Artificial?
Não. IA, dashboards e outras tecnologias são tendências e podem apoiar o gerenciamento, mas não constituem uma exigência específica da NR-1.

4. Como o Canal de Acolhimento pode contribuir para a gestão de riscos psicossociais?
O Canal de Acolhimento oferece escuta especializada para situações relacionadas à saúde mental e ao bem-estar no trabalho. Os atendimentos podem ajudar a identificar demandas recorrentes e orientar ações de cuidado e prevenção, sem substituir a gestão técnica dos riscos ocupacionais. 

5. As sanções relacionadas aos riscos psicossociais estão suspensas?
Em junho de 2026, o STF suspendeu por 90 dias multas e outras sanções relacionadas aos dispositivos questionados, e o Plenário referendou a decisão em agosto. A situação jurídica pode mudar com novas decisões.

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